Participante entre os dez maiores produtores de petróleo bruto do mundo, o Brasil enfrenta uma contradição relacionada à dificuldade de oferta de gasolina, como aponta o ex-presidente da Petrobras, Pedro Parente. Apesar de ser exportador da commodity, o país depende do mercado externo para manter os postos de gasolina abastecidos, cenário influenciado por diretrizes de política energética adotadas ao longo dos anos.
O conflito entre os Estados Unidos e o Irã fez com que o preço do barril do Brent, referência internacional para o petróleo bruto, ultrapassasse US$ 100. Conforme noticiado pelo O Brasilianista, o fechamento do Estreito de Ormuz e a insegurança associada às ações do país norte-americano têm aberto espaço para que nações emergentes como o Brasil ganhem destaque no cenário internacional, movimento que representa mais lucro para as petroleiras.
Entretanto, os efeitos negativos tanto para a economia quanto para a população decorrem da dependência de combustíveis fósseis, segundo o Observatório do Clima. Além disso, a entidade critica os impactos da necessidade de utilizar derivados do petróleo, destacando que esse modelo contribui para o agravamento da crise climática já vivida nos dias atuais.
O que explica o Brasil ter petróleo, mas faltar gasolina?
Em entrevista, Pedro Parente afirmou que a população consome menos da metade dos 4 milhões de barris de petróleo extraídos por dia, conforme informações do InfoMoney. Segundo ele, a demanda nacional está concentrada em derivados do petróleo, como a gasolina, diesel e gás. “A gente não consome petróleo bruto, a gente consome derivados de petróleo”, afirma e acrescenta: “A gente consome gasolina, a gente consome diesel, a gente consome o gás que é feito de petróleo, o famoso GLP”.
Acontece que o país precisa importar esses produtos devido à insuficiência da capacidade de refino instalada, ou seja, mesmo estando entre as maiores produtores de petróleo do mundo, o Brasil não tem número nem tamanho suficientes para processar o que consome em petróleo. Nesse cenário, entra a falta de gasolina, que, diante de conflitos externos, precisa ser comprada mais cara.
Dependência de derivados de petróleo
De acordo com dados do Observatório do Clima, em 2024, o país realizou a importação de 103,2 milhões de barris de petróleo, o que equivale a cerca de 280 mil barris por dia. As compras específicas de derivados de petróleo somaram cerca de 216 milhões de barris no ano, ou aproximadamente 592 mil barris por dia.
Os principais fornecedores de petróleo para o Brasil são a África, com 40% e o Oriente Médio, que representou 23% das compras. No penúltimo ano, o país comprou principalmente diesel, gás liquefeito de petróleo (GLP) e gasolina A, que é combustível sem adição de etanol, que juntas responderam por 59,5% das importações totais no período, cenário influenciado pela falta de matriz energética renovável.
A dependência de combustíveis fósseis está relacionada, em parte, à limitação de fontes renováveis disponíveis no país, aponta a entidade. Em 2024, a geração de eletricidade levou ao aumento de 4,7% na demanda por combustíveis, além do crescimento de 30% das importações de gás natural liquefeito. O Brasil também mantém elevada necessidade de fontes fósseis no setor de transportes e na operação de usinas termelétricas, que utilizam gás fóssil como principal insumo.

