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Geopolítica

“Dividendo da paz” deve ser primeira ação econômica com fim da guerra no Oriente Médio

Economista explica os primeiros efeitos do mercado após conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel

“Dividendo da paz” deve ser primeira ação econômica com fim da guerra no Oriente Médio

A guerra no Oriente Médio ainda não acabou e com pouco mais de um mês de duração, ainda não há estimativas de quanto tempo o conflito pode durar. Mas, já se especula sobre o fim da ofensiva. No cenário econômico o pós guerra pode provocar movimentos imediatos nos mercados globais, reduzir o prêmio de risco geopolítico e afetar preços de energia, commodities e ativos financeiros.

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A expectativa é de alívio para os custos de produção, menor pressão inflacionária e recuperação de mercados altamente dependentes de importações de energia, de acordo com Linconl Rocha, presidente da Pagos.

O especialista explica que o primeiro efeito esperado é o chamado “dividendo da paz”. Segundo ele “o mercado financeiro antecipa cenários, e a simples sinalização de um acordo remove imediatamente o prêmio de risco geopolítico que hoje está embutido nos preços”. Com isso os mercados de petróleo Brent e Gás Natural Liquefeito (GNL) devem recuar de forma rápida.

Para a economia real essa mudança significa menos pressão inflacionária. Energia mais barata reduz o custo de produção e de frete que cria espaço para os bancos centrais reconsiderarem políticas de juros. Nos mercados europeu e asiático a expectativa é de forte recuperação inicial, devido à dependência de importação de energia e à importância estratégica do Estreito de Hormuz, que o economista distingue entre commodities energéticas e agrícolas.

“Precisamos separar as commodities em duas categorias conforme o impacto físico do conflito. Ambas têm pregões online e mercados de futuro operando globalmente, então com a constatação das entregas, os preços se ajustarão instantaneamente”, explica.

Rocha explica que apesar da destruição de poços e refinarias os preços de petróleo podem cair rapidamente porque o mercado liquida posições especulativas assim que a paz é precificada. Já para commodities agrícolas, o efeito será gradual. O Golfo Pérsico responde por 46% do suprimento global de ureia.

Com ataques a instalações de gás, empresas como a Qatar Fertiliser Company precisaram paralisar a produção, elevando em cerca de 60% os preços de fertilizantes. Como produtores rurais já adquiriram insumos caros, a descompressão de grãos e alimentos só será percebida no próximo ciclo de plantio, de acordo com avaliação do economista.

Ativos que devem ganhar destaque

Durante o conflito, o capital buscou portos seguros como dólar e ouro. Com a paz, segundo Linconl Rocha, o apetite ao risco retorna, e instituições financeiras devem recomendar ativos de risco e mercados internacionais. Setores impactados pelo alto custo do combustível como companhias aéreas e indústrias de base, devem liderar as recomendações de compra.

Ações pagadoras de dividendos em mercados emergentes também voltam ao radar, com investidores buscando rendimento em ambientes de menor risco geopolítico.

O presidente da Pagos ainda afirma que o retorno de capital antes concentrado em fundos monetários nos Estados Unidos, que atingiram recorde de US$ 8,271 trilhões em março de 2026, pode impulsionar a economia real. O Brasil pode se destacar, não por ações específicas, mas por combinações entre segurança jurídica, juros altos e mercado financeiro sofisticado.

A redução de juros é apontada como fator crucial para retomar operações de fusões e aquisições (M&A).

“Nos EUA, a taxa de juros está em 3,5% a 3,75%, e aqui no Brasil chegamos a 14,75%. O ambiente de M&A é reduzido. O conflito agravou isso, trazendo pressão inflacionária via petróleo. Com a paz, essa pressão cai e os bancos centrais poderão rever metas e juros”, afirma.

Fundos soberanos do Oriente Médio, que acumularam caixa com petróleo em alta, podem buscar oportunidades em infraestrutura, tecnologia e energia. O mercado de capitais, incluindo IPOs, também tende a se reativar, mas depende do corte de juros.

Preparação do mercado

Para Linconl, o setor financeiro está mais preparado para lidar com volatilidade cambial e realocação de fluxos globais. “Grandes instituições operam com ‘centros geopolíticos’, monitorando alianças, rotas comerciais e tarifas. Para lidar com volatilidade cambial, a palavra de ordem é hedge.

“Os gestores exigem prêmios de risco mais altos para países próximos a zonas de tensão. Países com melhor tecnologia, regulação pró-mercado e maior liberdade de concorrência devem atrair o capital global”, analisa.

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