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Justiça

“Big techs terão que mudar uso de dados para evitar multas e restrições”, diz especialista

Medidas em discussão no Brasil e no exterior ampliam pressão sobre plataformas digitais

“Big techs terão que mudar uso de dados para evitar multas e restrições”, diz especialista

O avanço da regulamentação das grandes empresas de tecnologia deve obrigar plataformas digitais a rever práticas centrais de operação, como uso de dados, funcionamento de algoritmos e políticas de transparência.

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A avaliação é de Daniela Poli Vlavianos, sócia do Poli Advogados e Associados, que aponta que o movimento regulatório ganha força no Brasil e no exterior, em meio a iniciativas do governo federal e a novas ações de órgãos reguladores.

Pressão política cresce no Brasil

O debate sobre limites para atuação das big techs voltou à pauta do governo federal em 2026. Como divulgado pelo PlatôBR, o Palácio do Planalto pretende enviar ao Congresso uma proposta para regulamentar essas empresas, mesmo diante de resistência no Legislativo.

De acordo com o veículo, a discussão ficou em segundo plano em 2025, quando a prioridade foi a agenda econômica.

Ainda assim, integrantes do governo defendem que o tema precisa avançar, especialmente diante do impacto das plataformas na economia digital e na sociedade.

Daniela Poli Vlavianos afirma que esse movimento não é isolado. “O avanço da regulamentação das big techs representa uma resposta direta dos Estados à concentração de poder econômico, informacional e tecnológico dessas empresas”, explica.

Regras miram dados e concorrência

As propostas em discussão envolvem diferentes frentes, incluindo proteção de dados, concorrência e transparência.

Segundo Vlavianos, o objetivo é reduzir distorções no ambiente digital e ampliar a responsabilização das empresas.

“Trata-se de um movimento global que busca reequilibrar relações jurídicas que se tornaram assimétricas, especialmente no que diz respeito à proteção de dados pessoais, livre concorrência e transparência algorítmica”, afirma.

Como apurado pelo Olhar Digital, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) abriu consulta pública para analisar o impacto dessas plataformas nas redes brasileiras.

O processo inclui avaliação sobre o volume de tráfego gerado por serviços digitais e possíveis obrigações regulatórias.

A iniciativa também aborda temas como proteção ao consumidor e práticas consideradas abusivas, incluindo mecanismos que dificultam o cancelamento de serviços.

Ajustes internos passam a ser exigência

Para evitar sanções, as empresas precisarão adotar mudanças estruturais em suas operações. Entre os principais pontos estão governança de dados, revisão de políticas e controle de riscos.

“As empresas precisam implementar programas robustos de compliance regulatório, com foco especial em governança de dados e transparência no tratamento de informações pessoais”, destaca Vlavianos.

Ela afirma que também será necessário revisar termos de uso e mecanismos de consentimento. “É imprescindível garantir que sejam claros, específicos e informados, conforme exigido pela legislação aplicável”, acrescenta.

Outro ponto citado pela especialista é o monitoramento de algoritmos e sistemas de inteligência artificial. Segundo ela, auditorias internas e mecanismos de accountability passam a ser exigidos no novo cenário regulatório.

Decisões judiciais ampliam pressão

Como publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos (IHU), decisões judiciais recentes nos Estados Unidos responsabilizaram plataformas digitais por danos causados a usuários, especialmente jovens.

Em um dos casos, empresas foram consideradas responsáveis por desenvolver produtos com características que incentivam o uso excessivo. A repercussão afetou o mercado financeiro, com queda nas ações de grandes companhias do setor.

Para Vlavianos, esse tipo de decisão amplia o risco para as empresas. “O principal prejuízo decorre da imposição de sanções administrativas severas, que incluem multas expressivas e restrições operacionais”, avalia.

Ela destaca ainda que o impacto vai além do aspecto financeiro. “Há risco concreto de deterioração da reputação e perda de confiança de investidores”, afirma.

Impacto pode mudar dinâmica do setor

A regulamentação também pode alterar a estrutura competitiva do mercado digital. Segundo a especialista, o aumento das exigências tende a elevar o custo de operação para as empresas.

“A regulamentação tende a elevar o custo de entrada e permanência no mercado, especialmente em razão das exigências técnicas e estruturais”, explica Vlavianos.

Ela ressalta, no entanto, que o efeito não é uniforme. “Sob outra perspectiva, a regulamentação pode favorecer a concorrência ao limitar práticas abusivas das grandes plataformas”, afirma.

Como informado pelo Olhar Digital, a consulta da Anatel inclui a participação de empresas, especialistas e consumidores, o que indica tentativa de construção de regras mais equilibradas para o setor.

Cenário aponta mais controle sobre plataformas

O avanço simultâneo de iniciativas no Brasil e no exterior indica um cenário de maior controle sobre a atuação das big techs.

A combinação entre pressão política, regulação e decisões judiciais tende a ampliar a exigência de adaptação das empresas.

Para Vlavianos, o momento marca uma mudança estrutural. “Há um esforço claro para submeter essas empresas à jurisdição estatal, impedindo que operem em um ambiente de autorregulação insuficiente”, conclui.

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