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Política

Institutos de pesquisa eleitorais têm a confiança do eleitor?

Inconsistências na avaliação do desempenho dos candidatos podem impulsionar ainda mais a desconfiança durante o período eleitoral

Institutos de pesquisa eleitorais têm a confiança do eleitor?

No primeiro turno das eleições presidenciais de 2022, a disputa eleitoral ficou marcada pelos 48,43% dos votos válidos obtidos por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e por 43,20% alcançados pelo então presidente Jair Bolsonaro, segundo informações do Tribunal Superior Eleitoral, resultado que surpreendeu diante das expectativas de uma disputa menos acirrada apresentadas por pesquisas eleitorais. Diante disso, a confiança nos institutos de pesquisa eleitorais pode ter sido enfraquecida, principalmente devido a forma como a população analisa os resultados.

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Segundo o cientista político Ariel Calmon, a confiança do eleitor brasileiro nas pesquisas eleitorais sofreu mudanças significativas nos dois últimos períodos eleitorais, movimento influenciado pela insistente subestimação do desempenho de Jair Bolsonaro em relação a Lula e aumento da polarização. Em um cenário em que a circulação de informações é cada vez mais rápida e marcada pelo crescimento da desinformação, inconsistências na avaliação do desempenho dos candidatos podem impulsionar ainda mais a desconfiança durante o período eleitoral.

Leitura dos resultados

O especialista explica que a falta de confiança está ligada principalmente à forma como os resultados são repassados à população. Segundo ele, a interpretação simplificada e impressões distorcidas podem gerar conclusões equivocadas sobre o cenário eleitoral, e muitas vezes não há explicação adequada sobre a margem de erro das pesquisas nem sobre a metodologia utilizada na produção dos dados, o que contribui para reforçar a desconfiança do eleitor.

“A leitura de que as pesquisas erram de forma sistemática simplifica o problema, que é decorrente de uma expectativa errada sobre o que é pesquisa. Pesquisas não são previsões exatas, mas estimativas baseadas em amostras e sujeitas a margens de erro, mudanças de última hora no comportamento do eleitor e limitações inerentes à coleta de dados”, explica o cientista político.

Como apontado anteriormente existe ainda a dificuldade relacionada à análise de resultados baseada em números pontuais fora do intervalo de confiança ou na avaliação isolada de um único instituto. Quando interpretados no contexto adequado e de forma ampla, os resultados podem apresentar tendências e mapear o cenário eleitoral, mesmo que não antecipem com certeza o resultado.

“Quando bem interpretadas, as pesquisas seguem sendo instrumentos eficazes para captar tendências e mapear o cenário eleitoral, ainda que não antecipem com precisão milimétrica o resultado. Prova disso é que continuam sendo amplamente utilizadas, inclusive por partidos e atores políticos que, publicamente, as criticam e reforçam a desconfiança”, completa.

Desconfiança institucional

A percepção sobre esses resultados não aparece de forma isolada, sendo influenciada também pelo crescente clima de desconfiança política observado nos últimos anos. Conforme explica Ariel Calmon, a desconfiança nas pesquisa eleitorais está ligada à crise política vivida recentemente, período em que se intensificaram os ataques a instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF).

“Essa desconfiança nas pesquisas não surge isoladamente. Ela acompanha um processo mais amplo de queda de confiança nas instituições políticas, observado desde eventos como a crise política de 2014-2016, a Operação Lava Jato e o aumento da polarização eleitoral. Esse ambiente, de confiança política difusa, pode afetar as próprias medições, ao aumentar a recusa em responder ou a ocultação de voto”, aponta Calmon.

Quanto à confiança dos brasileiros nas pesquisas eleitorais em 2026, o especialista indica que ainda é cedo para extrair dos dados divulgados a previsão de quem vai vencer, mas segundo ele, é importante manter informado sobre a compreensão do humor do eleitorado neste momento do ciclo eleitoral. “Para 2026, os levantamentos disponíveis indicam um ambiente ainda aberto e volátil, com espaço para mudanças ao longo da campanha”, alerta.

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