O uso estratégico das redes sociais para campanhas políticas é uma das armas que políticos pretendem dar mais atenção. Nomes menores na política conseguem facilmente superar lideranças há tempos consolidadas. A atuação digital de Renan Santos é um dos exemplos já citados pelo O Brasilianista.
O agora ex-MBL é pré-candidato à Presidência pelo partido Missão e alcançou 11,19% das menções às lideranças políticas nas últimas semanas. Ele fica atrás apenas de Flávio Bolsonaro (20,09%) e Luiz Inácio Lula da Silva (19,90%), mas supera governadores como Romeu Zema e Eduardo Leite.
Esse crescimento não representa um pico momentâneo, mas um desempenho constante que mostra a dificuldade dos políticos de não compreenderem a política como um fenômeno digital.
O caso de Ratinho Júnior exemplifica essa barreira: ao anunciar saída da disputa, o governador do Paraná teve um aumento de atenção limitado a 4% nas notícias tradicionais, sem manter visibilidade fora desse nicho.
O Movimento Brasil Livre (MBL) foi pioneiro em entender as redes sociais como estruturas de poder. O grupo opera um ecossistema digital estratégico, adaptando linguagens para cada plataforma e mobilizando uma base pronta para amplificar mensagens.
Sem cargo público, Renan utiliza podcasts e canais do YouTube para captar atenção através da frequência e repetição.
Política nas redes sociais
No evento J. Safra Macro Day, especialistas discutiram como esse ambiente digital altera a lógica eleitoral. Segundo o sócio da Arko Advice, Lucas Aragão, mecanismos tradicionais de popularidade baseados em programas sociais perderam força para novas estratégias de influência digital.
De acordo com Aragão, cada decisão política é avaliada em tempo real nas plataformas, influenciando a percepção pública de forma imediata.
Para Yuri Sanches, da AtlasIntel, a comunicação digital vai ter uma papel central no resultado das eleições, dada a volatilidade do eleitorado. De acordo com Sanches, a fragilidade governamental é amplificada pelas redes, onde erros ganham repercussão instantânea.
Segundo as análises apresentadas, o desempenho de Renan Santos nas redes sociais reforça a importância do ambiente online como fator determinante na polarização da corrida presidencial.
Cenário geopolítico
Nos Estados Unidos, políticos vão além e usam de influenciadores para alavancar nomes nas redes sociais. Ainda em março, uma live do streamer Hasan Piker arrecadou mais de US$ 56 mil para a campanha de Oliver Larkin, marcando o maior valor obtido em um único dia, segundo o próprio candidato.
Larkin é candidato nas primárias do Partido Democrata nos Estados Unidos para um assento na Câmara dos Representantes, disputando a indicação contra o congressista Jared Moskowitz no estado da Flórida.
O Brasilianista ressalta que o caso mostrou a crescente influência de criadores de conteúdo na política dos Estados Unidos, que passam a mobilizar seguidores não apenas para engajamento, mas também para financiamento direto de campanhas.
Influenciadores têm ampliado seu papel ao utilizar redes sociais e plataformas digitais para transformar audiência em doadores, em um modelo mais descentralizado que o dos tradicionais super PACs. Iniciativas como o coletivo Creators for Peace ilustram essa mudança, reunindo criadores para financiar causas políticas e humanitárias.
Uso de influenciadores em campanhas
De acordo com analistas, esse formato tem potencial para alterar a dinâmica de arrecadação eleitoral, especialmente entre públicos mais jovens. Casos como o da youtuber Trisha Paytas, que contribuiu com mais de US$ 10 mil para uma campanha, e ações coletivas que já ultrapassaram US$ 1,6 milhão em doações reforçam essa tendência.
Segundo organizadores, a mobilização é de forma orgânica, com influenciadores sendo acionados individualmente e aderindo conforme a campanha ganha visibilidade. A estratégia também inclui criadores menos politizados para alcançar novos públicos.
De acordo com especialistas, o engajamento político de influenciadores se intensificou desde 2020, impulsionado por pressões sociais por posicionamento público. Além de doações, essas iniciativas incluem venda de produtos e financiamento de ações comunitárias, ampliando o impacto das redes sociais na política.

