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Economia

Alta do petróleo pode render R$ 100 bilhões extras aos cofres públicos no Brasil

Escalada dos preços causado por conflito no Oriente Médio pode subir arrecadação em até 64%, segundo pesquisa

Alta do petróleo pode render R$ 100 bilhões extras aos cofres públicos no Brasil

A escalada nos preços do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio pode gerar aproximadamente R$ 100 bilhões na arrecadação pública brasileira. De acordo com nota técnica da Febrafite (Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais), o montante extraordinário é calculado com base no comportamento das receitas em episódios anteriores de alta na cotação do Brent, como o salto registrado em 2022 após guerra Russo-Ucraniana.

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Segundo o levantamento veiculado pela CNN, os dados levam em conta o recolhimento de royalties, participações especiais e impostos sobre o lucro das petroleiras pela União. Antes do estouro do conflito, com o barril cotado em torno de US$ 69, a estimativa total de receita para os entes da federação em 2026 era de R$ 160 bilhões.

Com a nova conjuntura, a associação considerou um cenário onde o barril se estabilize em cerca de US$ 95. Conforme aponta a nota técnica, embora a valorização da commodity seja de quase 40%, o impacto na arrecadação deve atingir 64%, visto que parte da tributação está diretamente vinculada ao lucro obtido por petroleiras e refinarias.

Caso o preço do Brent permaneça elevado até o final do ano, a receita total da União com o setor de petróleo ainda deve saltar para R$ 263 bilhões. O estudo indica que essa dinâmica de alta nas cotações internacionais tem potencial para transformar significativamente o fluxo de caixa governamental no curto prazo.

Distribuição entre União, Estados e municípios

Dos R$ 103 bilhões excedentes projetados, cerca de R$ 66 bilhões seriam destinados ao governo federal. Os R$ 37 bilhões restantes seriam distribuídos entre estados e municípios, com destaque para os chamados entes “confrontantes”, ou seja, áreas afetadas diretamente pela produção petrolífera.

Segundo nota técnica, esse grupo de municípios e estados ficaria com quase 69% do repasse regional, totalizando R$ 25,5 bilhões. Dentro dessa parcela, a associação destaca que o estado do Rio de Janeiro concentraria a maior fatia, recebendo 52,78% dos recursos, o equivalente a R$ 13,46 bilhões extras em seus cofres.

Destruição da demanda por energia

A crise não se restringe apenas ao combustível como já detalhou O Brasilianista. O Estreito de Ormuz é uma rota vital para o escoamento de fertilizantes, como a ureia. A interrupção ou o encarecimento dessa impacta diretamente a produção agrícola mundial, elevando os custos de alimentos e pressionando a inflação em setores essenciais, o que reduz o poder de compra das famílias e desacelera o consumo global.

A viabilidade da recuperação global depende agora de variáveis binárias no campo de batalha e na logística marítima. Conforme análise do Macquarie Group, o mercado se divide entre uma resolução rápida, com 60% de probabilidade, e um prolongamento da crise pelo segundo trimestre, que detém 40% de chance de se concretizar.

O fator determinante para a gravidade da desaceleração não será apenas o preço nominal do barril, mas a extensão de eventuais danos físicos à infraestrutura energética na região do Golfo.

Caso as instalações de extração e refino sejam atingidas, o choque de oferta deixaria de ser uma flutuação especulativa para se tornar uma escassez estrutural, o que, de acordo com analistas, impediria qualquer reação rápida das economias desenvolvidas e consolidaria um cenário de estagnação prolongada.

Mercado de trabalho e inflação importada

A combinação de petróleo alto com a incerteza geopolítica já começa a dar sinais no emprego. Nos Estados Unidos, a taxa de desemprego subiu para cerca de 4,4%, um resultado considerado fraco que aponta para o esfriamento do mercado de trabalho.

Esse cenário coloca bancos centrais, como o Fed, em uma posição complexa: combater a inflação da gasolina enquanto a atividade econômica real começa a vacilar. Países com alta dependência de energia importada, como o Japão, estão em situação de vulnerabilidade extrema.

A desvalorização cambial (como a do Iene) somada à alta do petróleo amplia a “inflação importada”. Isso força um aperto monetário mais agressivo, transformando o que seria um evento transitório em um choque estrutural que pode paralisar cadeias produtivas inteiras, especialmente o setor petroquímico.

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