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Economia

“Big techs correm risco de multas”, alerta especialista

Decisão nos EUA amplia pressão por ajustes em dados, algoritmos e proteção de usuários

“Big techs correm risco de multas”, alerta especialista

A condenação de Meta e Google em um processo nos Estados Unidos, com indenização de US$ 6 milhões, reacendeu o debate global sobre responsabilidade das plataformas digitais.

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A decisão, que envolveu também o YouTube, colocou foco no funcionamento dos aplicativos e não apenas no conteúdo, ampliando o risco jurídico para empresas do setor e elevando a pressão por mudanças estruturais.

Decisão judicial muda debate global

O caso analisado por um júri em Los Angeles concluiu que as plataformas foram projetadas de forma a gerar dependência em usuários jovens.

Como informou a BBC, a decisão considerou que houve atuação com “malícia, opressão ou fraude” no funcionamento dos serviços digitais.

A indenização foi dividida entre as empresas, com maior responsabilidade atribuída à Meta. A ação foi movida por uma jovem que relatou uso intenso desde a infância e impactos na saúde mental, incluindo ansiedade e depressão.

O julgamento também ganhou relevância por abrir caminho para outros processos semelhantes. A decisão é vista como um marco jurídico por tratar o design das plataformas como elemento central de responsabilidade.

Estrutura das plataformas entra no foco

A discussão jurídica passou a considerar não apenas o conteúdo publicado, mas a forma como os aplicativos são desenvolvidos.

Como destacou a Reuters, o processo focou no design das plataformas, incluindo mecanismos como rolagem infinita e estímulos contínuos de engajamento.

Essa abordagem amplia o alcance de possíveis responsabilizações, já que a legislação americana tradicionalmente protege empresas pelo conteúdo gerado por usuários. A mudança de foco para o produto digital cria um novo cenário para o setor.

Além disso, o caso foi classificado como um “teste” para milhares de ações semelhantes que tramitam nos Estados Unidos. A expectativa é que decisões futuras utilizem o mesmo entendimento jurídico adotado nesse julgamento.

Ajustes estruturais passam a ser exigidos

Para o advogado João Azevedo, especialista em Tecnologia, LGPD e Direito Civil e sócio do escritório Moraes Pitombo, o avanço das decisões judiciais reflete uma mudança clara na postura do poder público.

“As medidas de regulamentação adotadas até o momento apresentam resultados variados, mas indicam clara mudança de postura do Estado em relação às grandes plataformas digitais”, afirma.

Segundo Azevedo, o foco das autoridades está em reduzir o poder concentrado dessas empresas e garantir que elas se submetam às legislações nacionais.

Mudanças no modelo de negócio

O especialista destaca que evitar sanções exige transformações profundas na operação das empresas. “O principal desafio está no fato de que muitas dessas normas exigem alterações relevantes nos modelos de negócio ou no funcionamento de determinados sistemas e serviços”, explica.

Entre as mudanças necessárias estão revisões na coleta e no uso de dados pessoais, além de maior transparência sobre algoritmos e funcionamento das plataformas.

Azevedo também aponta que políticas de moderação de conteúdo e estruturas internas de governança precisam ser adaptadas.

Esse processo tende a ser mais complexo para empresas com atuação global, que precisam seguir regras diferentes em cada país.

Riscos financeiros e reputacionais

O descumprimento das normas pode gerar impactos diretos no desempenho das empresas. “O descumprimento das normas implica a aplicação das sanções cabíveis, que podem incluir multas, restrições operacionais, suspensão de atividades e outras penalidades administrativas”, afirma o especialista.

Além das perdas financeiras, há efeitos sobre a reputação das companhias, que podem afetar a confiança de usuários, investidores e parceiros comerciais.

Apesar disso, Azevedo ressalta que a saída de mercados relevantes não costuma ocorrer. “O mercado brasileiro, por exemplo, é extremamente relevante para essas empresas”, destaca, ao mencionar que as plataformas tendem a manter ou ampliar presença mesmo diante de desafios regulatórios.

Pressão internacional aumenta

O julgamento nos Estados Unidos ocorre em um momento de avanço de regulações em diferentes países.

Governos têm discutido limites para uso de redes sociais por crianças e adolescentes, além de regras mais rígidas para funcionamento das plataformas.

A decisão também reforça movimentos políticos e sociais que cobram maior proteção aos usuários, especialmente menores de idade. A ampliação de processos judiciais indica que o tema deve continuar no centro do debate global.

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