A possibilidade de o Brasil deixar de depender de importações de óleo diesel entrou no centro do debate energético após declarações recentes da presidência da Petrobras. A estatal avalia ampliar sua capacidade de produção para atender toda a demanda interna em um prazo de até cinco anos.
Atualmente, o país ainda precisa recorrer ao mercado externo para suprir cerca de um terço do consumo do combustível, essencial para o transporte de cargas e passageiros. Esse cenário ganhou ainda mais atenção diante da alta recente nos preços internacionais, influenciada por tensões no Oriente Médio.
Segundo a Agência Brasil, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a companhia revisa seu planejamento estratégico com a intenção de avaliar se é viável atingir 100% da produção necessária no país dentro desse período. “Estamos revendo esse plano e nos perguntando se podemos chegar a 100% em cinco anos”, afirmou ela durante um evento em São Paulo.
A executiva também indicou que o objetivo inicial era ampliar a produção para atender cerca de 80% da demanda nacional, com crescimento significativo na capacidade de refino. “Muito provavelmente, porque a Petrobras adora desafios, quem sabe a gente chega com a possibilidade de ter um novo plano de negócios capaz de entregar a autossuficiência do Brasil em diesel”, completou.
Expansão das refinarias entra no centro da estratégia
Para alcançar esse cenário, a Petrobras aposta na modernização e ampliação de suas unidades de refino. Entre os projetos citados está a Refinaria Abreu e Lima, que deve ter sua capacidade elevada por meio de melhorias operacionais e expansão estrutural.
Outro destaque é a Refinaria Duque de Caxias, que, integrada ao Complexo de Energias Boaventura, pode registrar aumento relevante na produção diária. A expectativa é que essas mudanças contribuam diretamente para reduzir a dependência externa.
Além dessas unidades, a companhia também trabalha em ajustes em refinarias localizadas no estado de São Paulo. A ideia é reduzir a produção de óleo combustível e priorizar derivados com maior demanda interna, como o diesel.
Durante sua fala, Chambriard destacou o papel estratégico do combustível na economia brasileira. “Diesel é o combustível mote do desenvolvimento nacional. A gente aumentando [a produção de] diesel, a gasolina vem junto, os dois principais produtos Petrobras”, afirmou.
Alta global pressiona preços e acelera debate
O cenário internacional tem impacto direto sobre o mercado interno. A valorização do petróleo foi intensificada por conflitos em regiões produtoras, como o entorno do Estreito de Ormuz, rota por onde circula uma parcela significativa da produção mundial.
Com isso, o barril do tipo Brent ultrapassou a marca de US$ 100, após ter sido negociado em torno de US$ 70 antes das tensões geopolíticas.
No Brasil, os efeitos já são percebidos. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis mostram que o diesel teve aumento expressivo em poucas semanas. Em resposta, o governo federal adotou medidas para tentar conter a escalada, como a redução de tributos e a criação de incentivos financeiros ao setor.
Também estão em discussão mecanismos adicionais, incluindo possíveis subsídios em parceria com estados, para reduzir o impacto ao consumidor final.
Planejamento começa a ser discutido nos próximos meses
A definição do novo plano de negócios da Petrobras deve começar nos próximos meses, com previsão de divulgação no fim do ano. Esse documento será determinante para indicar se a meta de autossuficiência será incorporada oficialmente às estratégias da companhia.
Caso avance, a iniciativa pode alterar de forma significativa a dinâmica do setor energético brasileiro, reduzindo a exposição a oscilações externas e fortalecendo a cadeia de produção nacional.
Ainda assim, especialistas apontam que o desafio envolve fatores complexos, como investimentos elevados, prazos de execução e condições do mercado internacional. O resultado dependerá da capacidade de execução dos projetos e da estabilidade do cenário global.

