A possibilidade de uma escalada prolongada no Oriente Médio já afeta diretamente o mercado global de energia. Uma análise recente aponta que, se o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e aliados continuar pelos próximos meses, o preço do barril pode atingir níveis inéditos.
Segundo o Valor Econômico, um relatório do Macquarie Group projeta que a cotação do petróleo pode chegar a US$ 200 caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado até junho. A região é considerada estratégica para o transporte de energia, e qualquer interrupção impacta rapidamente a oferta mundial.
O cenário analisado considera duas trajetórias possíveis. A primeira, com maior probabilidade, prevê uma resolução mais rápida do conflito. A segunda, menos provável, indica um prolongamento da crise, com efeitos mais severos sobre preços e disponibilidade.
Impacto direto no fornecimento global
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas do mundo para o escoamento de petróleo. Antes da atual crise, a passagem registrava diariamente cerca de 15 milhões de barris de petróleo bruto, além de volumes significativos de derivados.
Com as restrições impostas durante o conflito, o fluxo foi reduzido de forma expressiva. Esse tipo de bloqueio afeta não apenas produtores, mas também países importadores, pressionando toda a cadeia energética.
“Se o estreito permanecer fechado por um período prolongado, os preços precisariam subir o suficiente para destruir uma quantidade historicamente grande da demanda global por petróleo”, disseram os analistas no relatório de 27 de março.
Cenários e projeções do mercado
O estudo aponta que há cerca de 40% de chance de o conflito avançar pelo segundo trimestre. Nesse caso, os preços do petróleo poderiam alcançar patamares reais historicamente elevados, impulsionados pela escassez de oferta.
Já a hipótese mais provável, com 60% de chance, indica que a tensão pode diminuir ainda neste mês, reduzindo a pressão sobre os preços. Mesmo assim, o mercado segue sensível a qualquer sinal de escalada.
Atualmente, o petróleo Brent opera acima dos níveis considerados normais para o período. A cotação chegou a ultrapassar US$ 119 por barril durante o pico recente da crise e segue em alta acumulada no mês.
A referência histórica ainda é o valor registrado em 2008, quando o barril atingiu US$ 147,50 em termos nominais. A projeção atual, no entanto, sugere que esse recorde pode ser superado em um cenário mais extremo.
Tensão política influencia decisões
Além da dinâmica de oferta e demanda, decisões políticas também interferem no mercado. Nos Estados Unidos, o governo adiou prazos relacionados a possíveis ações contra instalações energéticas iranianas, o que contribuiu para reduzir momentaneamente a pressão.
Ao mesmo tempo, sinais de flexibilização por parte do Irã, como a liberação pontual de petroleiros, indicam tentativas de evitar um bloqueio total e prolongado da rota.
Os analistas destacam que dois fatores serão decisivos para o comportamento dos preços nos próximos meses: o tempo de reabertura do Estreito de Ormuz e eventuais danos à infraestrutura energética da região.

