No estado de São Paulo, a pesquisa Atlas/Estadão identificou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecem tecnicamente empatados nas intenções de votos, resultado que reforça as expectativas de que o principal embate deve se concentrar entre os dois pré-candidatos. Em meio a esse cenário, o escolhido do Partido Social Democrático (PSD), Ronaldo Caiado, tenta encontrar espaço na disputa eleitoral e se posicionar como alternativa fora do eixo principal.
Conforme apontado pelo colunista do O Brasilianista, Cristiano Noronha, o atual governo se encontra preocupado com a queda de favoritismo do presidente Lula diante de conflitos públicos envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal com o caso do Banco Master, assim como a forte pressão pública sobre o seu filho, Lulinha, que passou a ser investigado por suspeita de envolvimento com os golpes do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Nos últimos resultados, a rejeição do petista alcançou 56%.
Na análise de Cristiano Noronha, mesmo que a desaprovação de Lula continue oscilando, ele é o único representante da esquerda na disputa e, por isso, não deve ser afetado pela chegada de novos nomes. Flávio Bolsonaro também está bem posicionado, apresentando expectativas melhores do que as alcançadas por seu pai em 2022.
Possibilidade de 3º via
Ronaldo Caiado deixa o governo de Goiás, como opção para a direita no lugar de Flávio Bolsonaro, responsável por representar o seu pai, o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, condenado pela Suprema Corte há 27 anos de prisão por crimes envolvendo tentativa de golpe de Estado. Entretanto, a possibilidade de um terceiro nome ter chances nas eleições de novembro podem ser baixas, reflexo da polarização presente no país, afirma a professora de ciência política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mayra Goulart.
Segundo a especialista, o cenário é de que a corrida eleitoral já está praticamente definida, o que dificulta que a população enxergue outras possibilidades, fazendo com que outros nomes não consigam desempenho suficiente. Goulart explica que em um cenário onde dois candidatos se destacam como as únicas opções, a tendência é que o eleitor decida seu voto mais pela rejeição a um dos nomes do que pelo apoio entusiástico ao outro. Ou seja, muitas vezes a escolha se dá pelo princípio de “menos pior”, realidade observada principalmente em casos de segundo turno.
Discurso alternativo
Apesar das possibilidades de alcançar um eleitorado expressivo serem pequenas, Mayra Goulart afirma que um dos caminhos para outros nomes na corrida eleitoral é apresentar propostas diferentes das já existentes. “A estratégia pode ser apresentar um discurso alternativo e, mesmo que isso não gere resultados imediatos na eleição, manter a perseverança, apresentando uma agenda consistente. Além disso, é importante buscar reconhecimento público e construir conexões que fortaleçam a candidatura ao longo do tempo”.
O apoio a pautas de forte repercussão para direita por ser um dos planos de Ronaldo Caiado para fortalecer o seu nome como possibilidade. Durante discurso de oficialização de sua pré-candidatura ao Planalto, o ex-governador ponderou que se for eleito a sua primeira ação será determinar a “anistia ampla, geral e irrestrita” aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Além disso, Caiado disse que irá lutar para que a esquerda não volte ao poder, conforme noticiado pelo O Brasilianista.
“O presidente do PSD, Gilberto Kassab, disse, na semana passada, que o governo Lula é ruim e por isso não será reconduzido; e que Flávio tem uma rejeição alta. Por isso Caiado se mostra otimista quanto à possibilidade de uma terceira via tomar corpo”, aponta avaliação de Cristiano Noronha sobre a autoconfiança de Ronaldo Caiado.

