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Economia

Briefing: Endividamento, bancos e intervenção do Estado

Governo articula alívio para famílias endividadas, enfrenta turbulências no sistema financeiro e amplia subsídios para conter combustíveis e inflação

Briefing: Endividamento, bancos e intervenção do Estado

O governo federal prepara um novo programa de renegociação de dívidas focado nas linhas mais caras do mercado, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia. A estratégia busca atacar diretamente o principal fator de estrangulamento financeiro das famílias: o alto custo do crédito. Hoje, quase um terço da renda, 29,3%, está comprometido com dívidas, o maior nível da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011. A expectativa é permitir que inadimplentes migrem para modalidades mais baratas, reduzindo juros e aliviando o orçamento doméstico, segundo informou O Globo.

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Enquanto isso, o sistema financeiro vive uma crise relevante envolvendo o Banco de Brasília (BRB). A instituição afastou cerca de 30 dirigentes ligados à tentativa de compra do Banco Master, após auditoria apontar irregularidades que teriam causado um rombo de R$ 12,2 bilhões. Parte dos envolvidos pode responder criminalmente, conforme revelou O Globo.

A situação do BRB também mobiliza o governo federal e o Distrito Federal. O Ministério da Fazenda descartou, por ora, a federalização do banco, hipótese levantada pelo mercado, indicando que não há aval para que a instituição seja absorvida por bancos públicos como Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal, segundo a Folha de S.Paulo. Já a governadora do DF, Celina Leão, busca alternativas para socorrer o banco, incluindo a venda de ativos, embora tenha recuado na oferta de uma área de preservação ambiental, e negociações com o governo federal, conforme o Estadão.

Combustíveis

No campo fiscal, o governo amplia medidas para conter o impacto dos combustíveis sobre a inflação e a popularidade. O pacote já anunciado pode ultrapassar R$ 20 bilhões, com compensações via imposto de exportação estimadas em até R$ 15 bilhões, segundo O Globo. Ainda assim, novas ações estão em estudo, o que pode elevar o custo total.

Uma das principais frentes é a subvenção ao diesel importado. Pelo menos 21 estados já sinalizaram adesão ao programa, enquanto Rondônia ficou de fora por dúvidas sobre impacto e limitações fiscais, de acordo com a Folha de S.Paulo. O custo da medida pode chegar a até R$ 4 bilhões, sendo cerca de R$ 2 bilhões para a União, valor que, segundo a equipe econômica, pode ser absorvido sem novas receitas.

No setor de energia, a Petrobras projeta alcançar autossuficiência na produção de diesel em até cinco anos, o que reduziria a exposição à volatilidade internacional, informou o Estadão. Ao mesmo tempo, a estatal tenta mitigar impactos imediatos: após reajustar o querosene de aviação em mais de 50%, permitirá o parcelamento do aumento para distribuidoras, numa tentativa de preservar o setor aéreo, conforme relataram O Globo e Estadão.

Infraestrutura

Na área de infraestrutura, o Tribunal de Contas da União aprovou a repactuação da concessão do Aeroporto Internacional de Brasília, com previsão de novo leilão e investimentos de cerca de R$ 1,2 bilhão ao longo do contrato, segundo o Valor Econômico. A medida busca reequilibrar contratos e ampliar obrigações, incluindo aeroportos regionais.

No campo político-econômico, o vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu a necessidade de um novo ajuste fiscal a partir de 2027, caso o atual governo seja reeleito. Em entrevista ao Valor, ele destacou que o tema deve ser tratado já no primeiro ano de um eventual novo mandato, além de criticar o que chamou de política monetária “descalibrada”.