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Política

3ª via enfraquecida: quais motivos justificam o abandono de alguns candidatos às eleições

Especialista afirma que viabilidade de um terceiro nome ganhar força em 2026 não deve ser totalmente descartada

3ª via enfraquecida: quais motivos justificam o abandono de alguns candidatos às eleições

Em meio à disputa eleitoral polarizada, candidaturas novas ao Palácio do Planalto que se apresentaram como alternativas à chamada terceira via enfrentam dificuldades de consolidação de votos. No momento, pesquisas eleitorais mostram que o protagonismo se concentra na disputa entre os pré-candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), já Ronaldo Caiado (PSD) surge como nome confirmado na tentativa de construir uma alternativa, enquanto Ratinho Júnior (PSD) preferiu desistir antes mesmo do lançamento de uma candidatura oficial.

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O principal fator por trás do enfraquecimento de novos nomes no cenário político é o reflexo do aumento da polarização, marcado por narrativas que reforçam a divisão entre os dois polos políticos, explica o coordenador de Análise Política da BMJ Consultores, Ariel Calmon. Segundo o especialista, o contexto atual é de fragmentação do centro político, o que impede o crescimento de novas candidaturas.

“O principal motivo que explica esse abandono é a consolidação de um cenário polarizado, que concentra preferências eleitorais e reduz o espaço para alternativas. Junto com isso está a fragmentação do centro político, que não consegue se coordenar em torno de um único nome, e os riscos de perda de capital político/social e impacto sobre a base local”, afirma Calmon.

Desistência de Ratinho Júnior

A desistência de Ratinho Júnior, segundo explicação do cientista político, é justificada com base no entendimento de que entrar em uma corrida eleitoral tão intensa como a da presidência, sem possibilidade de viabilidade, poderia significar desgaste nacional para a sua imagem, e assim resultar em descontrole para sua base política estadual. O movimento foi motivado também pela perda de força do seu pré-candidato à sucessão, Guto Silva (PSD), que nas pesquisas eleitorais apresentou má colocação. “O recuo foi menos pessoal e mais estratégico”, afirma o especialista.

Possibilidade de 3ª via

Em avaliação sobre a possibilidade de um novo candidato ocupar o cargo de chefe do Executivo, Ariel Calmon avalia que a viabilidade de um terceiro nome ganhar força em 2026 frente a Lula e a Flávio Bolsonaro não deve ser totalmente descartada. Na opinião do especialista, há um eleitorado que aparenta estar cansado da polarização e que pode aderir a uma alternativa. No entanto, esse movimento dependeria de condições específicas que, até o momento, não se materializaram.

“Para que uma candidatura de terceira via ganhe tração, a unificação precoce do campo de centro em torno de um único nome, a construção de uma narrativa própria que vá além da rejeição aos polos, e a formação de uma estrutura nacional robusta, com alianças e capilaridade regional, são fatores decisivos. Além disso, crises políticas ou econômicas podem reconfigurar o cenário e abrir espaço para alternativas. Sem esses elementos, a tendência é de manutenção da polarização”, disse.

Em 2026, ao menos oito nomes desistiram de disputar a corrida eleitoral pelo Palácio do Planalto. Possibilidades como Joaquim Barbosa, Sergio Moro, João Doria e Luciano Huck, por exemplo, recuaram antes mesmo do início formal das campanhas em diferentes momentos, segundo Calmon.

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