Os Estados Unidos foram ultrapassados pela China em aprovação global, com 36% de avaliação positiva contra 31% dos americanos, segundo segundo pesquisa da Gallup.
A diferença de cinco pontos é a maior registrada em quase 20 anos, enquanto a rejeição aos EUA atingiu 48%, o nível mais alto da série histórica.
Mudança na percepção global ganha escala
A virada na avaliação internacional das duas potências ocorre em um contexto de transformação na forma como países são percebidos globalmente.
A pesquisa foi realizada em mais de 130 países e mostra uma queda consistente na aprovação da liderança americana ao longo do último ano.
Como divulgado pela Gallup, a aprovação dos Estados Unidos recuou de 39% em 2024 para 31% em 2025, enquanto a China avançou de 32% para 36% no mesmo período.
A rejeição à liderança americana também aumentou, alcançando o maior patamar já registrado.
O levantamento também aponta que a queda da imagem dos EUA foi disseminada, com recuos de aprovação em 44 países, incluindo aliados tradicionais, o que amplia o alcance da mudança na percepção internacional.
Conceito de influência ajuda a entender cenário
A disputa por imagem entre países está diretamente ligada ao conceito de “soft power”, que envolve a capacidade de influenciar sem o uso da força. Essa estratégia se baseia em fatores como cultura, valores e reputação internacional.
Como explica O Brasilianista, o soft power é construído por meio da atração e da persuasão, e não pela imposição.
Ele depende da credibilidade e da coerência entre discurso e prática para gerar confiança entre outros países.
Esse tipo de influência se tornou central nas relações internacionais nas últimas décadas, especialmente após a redução da centralidade do poder militar como principal instrumento de disputa global.
China mantém modelo político centralizado
Apesar do avanço na percepção internacional, a China mantém um sistema político centralizado e com restrições às liberdades individuais.
O país é governado pelo Partido Comunista Chinês, que exerce controle sobre diversos aspectos da vida pública.
Como detalha a Modern Diplomacy, o modelo chinês inclui controle da mídia, vigilância estatal e limitações à liberdade de expressão e de organização.
Ao mesmo tempo, o país passou por um longo período de crescimento econômico, consolidando-se como uma potência global.
Esse contraste entre modelo político e desempenho econômico faz parte do debate sobre a imagem internacional da China e sua capacidade de influência.
Avaliação global reflete mudança mais ampla
Os dados indicam que a mudança na percepção não está associada apenas ao avanço de um país, mas também à perda de referência do outro.
A diferença entre China e Estados Unidos ocorre em um cenário em que nenhum dos dois possui maioria de aprovação global.
A pesquisa mostra ainda que 45% dos países têm avaliação negativa tanto dos EUA quanto da China, o maior índice registrado em duas décadas. Esse dado aponta para um ambiente internacional mais fragmentado.
Coerência entre discurso e prática entra no debate
A análise sobre o enfraquecimento da influência americana considera fatores ligados à credibilidade internacional.
A capacidade de influência depende da consistência entre valores defendidos e ações adotadas na política externa.
Decisões unilaterais, mudanças de posicionamento e oscilações estratégicas impactam a forma como o país é percebido por parceiros e aliados ao redor do mundo.
A disputa por influência passa, portanto, não apenas por capacidade econômica ou militar, mas também pela construção de confiança no ambiente internacional.
Influência internacional segue em disputa
O soft power não some de repente; ele se deteriora de forma silenciosa. E quando isso acontece, o espaço deixado não fica vazio. Ele é preenchido — mesmo que por atores que, em outras condições, dificilmente seriam considerados exemplos a seguir.
O mundo não se tornou mais favorável à China. Tornou-se menos favorável aos Estados Unidos. E essa diferença é fundamental para entender a real natureza da transformação que está em curso.

