A alta acumulada de 49,26% nos preços de chocolates e bombons nos últimos quatro anos tem impactado o consumo na Páscoa de 2026, levando parte dos brasileiros a buscar alternativas mais acessíveis.
Apesar de quedas recentes na cesta de produtos, itens tradicionais seguem pressionando o orçamento das famílias.
Alta acumulada pressiona itens tradicionais
A dinâmica de preços da Páscoa nos últimos anos revela que mesmo com recuos recentes, os produtos mais associados à data seguem mais caros no longo prazo.
Como aponta a Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), chocolates e bombons acumulam alta de 49,26% entre 2023 e 2026, com aumentos sucessivos ao longo de todos os anos do período.
Esse comportamento ocorre mesmo em um cenário em que a cesta de Páscoa apresentou queda de 5,73% em 2026 e de 6,77% em 2025, após altas expressivas nos anos anteriores.
Queda recente não reduz pressão no bolso
A redução observada no curto prazo não se distribui de forma uniforme entre os produtos, o que altera a percepção do consumidor no momento da compra.
Itens de maior valor agregado, como chocolates, bacalhau e atum, continuam acumulando aumentos relevantes ao longo do tempo, o que mantém a pressão sobre o gasto final.
Além disso, produtos industrializados tendem a demorar mais para refletir quedas nos preços das matérias-primas, o que contribui para a manutenção de valores elevados ao consumidor.
Preços elevados mudam padrão de consumo
O impacto desse cenário aparece diretamente no comportamento de compra durante a Páscoa, com consumidores buscando alternativas mais baratas.
De acordo com levantamento divulgado pelo InfoMoney, com base em pesquisa da AtlasIntel, 54,7% dos brasileiros afirmaram que pretendem comemorar a data com barras de chocolate, enquanto os ovos industrializados aparecem com 44,7%.
A mesma pesquisa indica ainda que 45,3% devem comprar bombons, enquanto 34,2% optam por ovos artesanais, revelando uma diversificação nas escolhas influenciada pelo preço.
Barra de chocolate ganha espaço
A preferência pelas barras está diretamente associada ao custo mais baixo em comparação aos ovos de Páscoa, especialmente entre famílias de menor renda.
Segundo a pesquisa AtlasIntel, a barra de chocolate surge como alternativa acessível sem perder o simbolismo da data, permitindo a manutenção da tradição mesmo diante de preços elevados.
Esse movimento reforça uma adaptação do consumo, em que o formato do produto passa a ser um fator decisivo na escolha.
Consumo permanece forte apesar da inflação
Mesmo com a pressão nos preços, a Páscoa segue como uma data relevante no calendário de consumo brasileiro, mantendo alta adesão.
A pesquisa mostra que 74,7% dos entrevistados pretendem comemorar a data, e 64% afirmaram que irão comprar chocolate de alguma forma, independentemente do formato escolhido.
Além disso, 48,6% declararam comprar chocolate todos os anos, indicando um comportamento recorrente e consolidado.
Critérios de escolha variam entre consumidores
O processo de decisão de compra também reflete a adaptação ao cenário de preços, com diferentes fatores ganhando relevância.
Segundo o levantamento, o sabor lidera como principal critério (58%), seguido pelo preço (42%) e pela marca (34%), evidenciando a importância do custo na escolha.
No caso de compras para crianças, fatores como brindes e personagens também influenciam, alterando o padrão de decisão dentro das famílias.
Canais físicos lideram as compras
A maior parte das aquisições segue concentrada em lojas físicas, especialmente supermercados, que aparecem como principal canal de compra.
De acordo com a pesquisa, 64,6% dos consumidores pretendem adquirir produtos nesses estabelecimentos, enquanto 41,4% optam por lojas de marcas.
O dado reforça a predominância do consumo presencial, mesmo com a expansão das opções digitais no varejo.

