A janela partidária terminou com mais de 20% de trocas na Câmara dos Deputados, com ao menos 119 parlamentares mudando de sigla ao longo de 30 dias.
O movimento, impulsionado pelas eleições de 2026, altera o equilíbrio entre partidos e antecipa a reorganização política no Congresso.
Trocas atingem mais de cem deputados
O encerramento da janela partidária consolidou um dos períodos mais intensos de movimentação política recente no Legislativo federal.
A troca de partidos ocorre dentro de regras específicas que permitem mudanças sem perda de mandato. Como informou a CNN Brasil, ao menos 119 deputados titulares trocaram de legenda entre 5 de março e 3 de abril, número que representa mais de 20% da composição da Câmara dos Deputados.
O levantamento considera dados oficiais, anúncios públicos e comunicações partidárias, e ainda pode ser atualizado conforme a formalização completa das mudanças.
Bancadas são reorganizadas no Congresso
A redistribuição de parlamentares provocou alterações relevantes na composição das bancadas. Partidos com maior capacidade de atração ampliaram sua presença, enquanto outros registraram perdas significativas.
O Partido Liberal (PL) chegou a 100 deputados, após incorporar novas filiações e recuperar espaço em relação ao período anterior à janela.
Já o União Brasil registrou o maior número de saídas, com 28 perdas, embora tenha equilibrado parcialmente o impacto ao receber 21 novos integrantes, mantendo posição entre as maiores bancadas.
Siglas médias também registram mudanças
Além dos grandes partidos, siglas de porte médio e pequeno também passaram por reconfiguração interna. O movimento inclui tanto perdas quanto ganhos em diferentes proporções.
Partidos como PSD, MDB e Republicanos tiveram números próximos entre entradas e saídas, mantendo relativa estabilidade no tamanho de suas bancadas.
Outros casos apresentaram maior variação proporcional, como o PDT, que perdeu oito deputados e registrou apenas uma nova filiação, enquanto o PSDB ampliou sua bancada com 11 entradas.
Regra permite mudança sem perda de mandato
A janela partidária é prevista na legislação eleitoral e ocorre em anos de eleição, permitindo a troca de legenda sem penalidades para parlamentares.
Como explicou O Brasilianista, o mecanismo existe porque o mandato pertence ao partido, e não ao candidato, sendo necessária uma exceção legal para permitir mudanças sem risco de cassação.
O período é aberto seis meses antes do pleito e funciona como uma etapa formal de reorganização política antes do início das campanhas eleitorais.
Prazo integra calendário eleitoral mais amplo
O encerramento da janela partidária faz parte de um conjunto de regras que organizam o processo eleitoral brasileiro e definem etapas obrigatórias antes das eleições.
Outro marco recente foi o prazo de desincompatibilização, que obrigou ocupantes de cargos públicos a deixarem suas funções até seis meses antes do primeiro turno.
Esse conjunto de prazos delimita quem pode concorrer, regula a atuação de agentes públicos e estabelece as bases para o início da disputa eleitoral.
Mudanças também alcançam o Senado
Embora a janela partidária seja voltada principalmente a deputados, a movimentação política também se refletiu no Senado, ainda que sob regras diferentes.
Como destacou a CNN Brasil, senadores podem mudar de partido sem necessidade de aguardar a janela, desde que cumpram o prazo mínimo de filiação antes da eleição.
Houve migrações relevantes, incluindo a saída de integrantes do PSD e a entrada de novos nomes em partidos como PL e PSB.
Próxima etapa envolve definição de candidaturas
Após a fase de trocas partidárias, o calendário eleitoral avança para as convenções, momento em que os partidos definem oficialmente seus candidatos.
Segundo O Brasilianista, essas etapas são fundamentais para consolidar alianças e estruturar as campanhas que disputarão os cargos em outubro.
O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para o dia 4 de outubro, data que encerra o ciclo iniciado com a reorganização partidária no Congresso.
Distribuição das trocas partidárias na Câmara após a janela eleitoral
- União Brasil: 21 adesões e 28 saídas;
- PDT: 1 adesão e 8 saídas;
- MDB: 7 adesões e 13 saídas;
- PSD: 9 adesões e 13 saídas;
- PL: 20 adesões e 7 saídas;
- PSDB: 11 adesões e 7 saídas;
- PP: 6 adesões e 9 saídas;
- PSB: 6 adesões e 5 saídas;
- Republicanos: 15 adesões e 15 saídas;
- Podemos: 13 adesões e 2 saídas;
- Solidariedade: 2 adesões e 2 saídas;
- Avante: 1 adesão e 4 saídas;
- PRD: 1 adesão e 3 saídas;
- Rede: 2 adesões e 1 saída;
- PT: 0 adesões e 1 saída;
- Cidadania: 0 adesões e 1 saída;
- Missão: 1 adesão e 0 saídas;
- PC do B: 1 adesão e 0 saídas;
- PSOL: 1 adesão e 0 saídas;
- PV: 1 adesão e 0 saídas.

