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Economia

Briefing: Riscos globais e pressões domésticas

Capital estrangeiro, endividamento das famílias, energia cara e incertezas fiscais moldam cenário às vésperas das eleições

Briefing: Riscos globais e pressões domésticas

A economia brasileira atravessa um momento de inflexão, marcado por uma combinação de fatores externos e desafios internos que devem pautar o debate público e as decisões de política econômica ao longo de 2026. Em meio à guerra no Oriente Médio e à reorganização do fluxo global de capitais, o Brasil tem atraído investimentos estrangeiros, ao mesmo tempo em que enfrenta pressões sobre renda, crédito, energia e contas públicas.

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Um dos sinais mais evidentes dessa nova dinâmica veio do mercado financeiro. Em março, primeiro mês do conflito no Oriente Médio, a entrada líquida de capital estrangeiro na B3 somou R$ 9 bilhões, um movimento que contraria a expectativa tradicional de fuga de recursos de países emergentes em momentos de crise global. Segundo o Estadão, esse fluxo reflete uma mudança na percepção dos investidores internacionais, que passaram a diversificar mais seus portfólios diante das incertezas relacionadas à economia dos Estados Unidos.

O aumento da dívida pública americana, que atingiu 125% do PIB em 2025 e pode chegar a 143,4% até 2030, segundo o FMI, e o chamado “risco institucional” citado por analistas têm contribuído para esse redirecionamento parcial de recursos. Ainda de acordo com o Estadão, mesmo uma pequena fatia desse capital representa impacto relevante para mercados como o brasileiro.

Endividamento e crédito no centro da agenda política

No plano doméstico, o alto nível de endividamento das famílias permanece como um dos principais entraves ao crescimento econômico e um desafio político central para o governo. A seis meses das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta reverter esse quadro, que segue próximo aos níveis observados em 2022, apesar de iniciativas como o programa Desenrola, lançado em 2023.

De acordo com O Globo, a alta dos juros, utilizada para conter a inflação, acabou neutralizando parte dos efeitos das políticas de renegociação, mantendo elevado o comprometimento da renda das famílias com dívidas.

Em paralelo, há uma forte expansão dos estímulos econômicos. Levantamento da gestora ARX Investimentos, citado pela Folha de S.Paulo, aponta que os incentivos à atividade podem chegar a R$ 742 bilhões em 2026, o equivalente a 5,4% do PIB. O volume representa um salto de 139% em relação ao ano anterior e inclui aumento do crédito via BNDES, expansão do consignado privado e uso de fundos públicos, além da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.

Energia e inflação pressionam orçamento das famílias

Outro fator de pressão sobre o orçamento doméstico é o custo da energia elétrica. Segundo O Globo, as tarifas residenciais acumulam alta de mais de 400% desde 2000, superando a inflação no período. Para 2026, a previsão da Aneel é de novo aumento, em torno de 8%, acima da inflação projetada.

Em resposta ao cenário internacional, especialmente aos efeitos da guerra sobre os combustíveis, o governo também estuda novas medidas de intervenção. Ainda segundo O Globo, está em discussão uma medida provisória para subsidiar o diesel, numa tentativa de evitar repasses mais intensos ao consumidor e reduzir o risco de mobilizações no setor de transporte.

Avanços e incertezas na agenda estrutural

Apesar das pressões, há avanços importantes na agenda de longo prazo. Relatório recente da Agência Internacional de Energia (AIE), citado pelo Valor Econômico, destaca o protagonismo do Brasil na transição energética, incluindo o compromisso de ampliar significativamente a produção de combustíveis sustentáveis até 2035. A entrada do país como membro pleno da agência reforça sua posição nas negociações climáticas globais.

Por outro lado, setores como o de saneamento enfrentam incertezas no curto prazo. Segundo o Valor, leilões e parcerias público-privadas têm sido afetados pelo calendário eleitoral e por dificuldades específicas de projetos, o que pode atrasar investimentos essenciais em infraestrutura.

Riscos fiscais e institucionais no radar

O cenário fiscal segue como ponto de atenção. O crescimento dos gastos públicos, incluindo despesas com o sistema de Justiça, que atingiram R$ 181,5 bilhões, segundo a Folha de S.Paulo, reforça o desafio de equilibrar as contas sem comprometer o crescimento.

Além disso, episódios recentes envolvendo o sistema financeiro, como a crise do Banco Master e seus desdobramentos no Banco de Brasília (BRB), aumentam a percepção de risco institucional. Reportagens de O Globo e Estadão destacam investigações, suspeitas de irregularidades e o risco de impacto sobre a credibilidade do sistema.