Flávio Bolsonaro (PL) é o principal candidato à presidência da República da direita em 2026. Assim como o pai, Jair Bolsonaro, em 2022, ele deve enfrentar uma disputa eleitoral com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até outubro deste ano.
No entanto, como Flávio nunca ocupou um cargo do Executivo, paira a dúvida em relação a como seria um possível mandato como presidente, caso ele vença as eleições deste ano. Com o ex-presidente preso e inelegível, o primogênito do clã Bolsonaro se mostrou, até agora, como principal porta-voz das ideias do pai.
Ana Prestes, analista internacional e Doutora em Ciência Política e História, avalia que Flávio Bolsonaro deve manter a mesma linha de Jair Bolsonaro em um possível mandato presidencial.
Liberdade Econômica, religiosa, de expressão, para a defesa de direitos e para o uso responsável dos recursos naturais; dignidade para os menos favorecidos, solidariedade social e voluntariado e equilíbrio socioeconômico regional foram os pilares apresentados no plano de governo do ex-presidente Jair Bolsonaro para um possível mandato de 2023 a 2026.
De acordo com o documento que explicitava seu plano de governo nas eleições de 2022, o foco do planejamento, em linhas gerais, era gerar empregos, melhoria dos acessos à saúde de qualidade no Brasil, uso da tecnologia para a sustentabilidade e combate à corrupção.
“Eu temo que ele possa fazer um papel de ‘bom moço’ agora na no período de pré-campanha e depois no período de campanha, mas que ele possa aprofundar ainda mais essa linha de da extrema-direita num possível governo”, comenta a cientista política.
Segundo ela, Flávio deve manter a mesma linha e deve, ainda, aprofundar o tom autoritário e neoliberal em um possível mandato.
Quais mudanças esperar de um possível governo Flávio Bolsonaro?
As prováveis mudanças de um governo Flávio Bolsonaro dependem de algumas condicionantes, de acordo com a especialista, como a composição do parlamento — que também deve mudar nas eleições de 2026 — e relação estabelecida com o Supremo Tribunal Federal (STF), bem como a composição dos governos dos estados.
Ou seja, o novo cenário vai ser determinado pelo ambiente político interno no Brasil e os fatores externos também.
“Essas mudanças podem ser um aprofundamento da linha da extrema direita no possível governo Flávio Bolsonaro com perda de direitos, principalmente para setores da sociedade como as mulheres e comunidade LGBTQIA+”, pondera Ana Prestes.
Para ela, é possível que haja perda de direitos também nas áreas como saúde, educação e serviço social. “Nós podemos ter um aprofundamento de medidas autoritárias e restrição da nossa democracia”, alega.
Nós podemos ter ambiente de perseguição Então, política à esquerda, como eles já tentaram fazer criminalização de partidos, como o próprio Partido Comunista, podem entrar nessa linha.
A probabilidade de diminuição do Estado com privatizações ainda é alta, causando um momento econômico que pode trazer certas dificuldades para o país.
Além disso, um cenário externo repleto de conflitos é muito diferente do que nas eleições presidenciais passadas. Nesse sentido, a cientista política relembra que diversas nações globais relevantes, bem como importantes para o Brasil são comandadas por líderes de extrema direita.
“Isso pode influenciar um governo Flávio Bolsonaro de se sentir ainda mais confortável para medidas autoritárias de cortes de direitos e neoliberais”, afirma.
Terceira via é possibilidade?
Até o momento, as eleições já estão altamente polarizadas entre Flávio e Lula, sobrando pouco espaço para outras vias.
Prestes acredita ser muito improvável que até outubro surja uma terceira via com qualquer viabilidade eleitoral.
“Precisariam acontecer fatores muito inesperados, como tragédias que são imprevisíveis ou alguma coisa do gênero para que em 6 meses esse formato polarizado de disputa eleitoral fosse modificado, dando passagem para algum projeto terceira via que pudesse ser considerado pela população”, avalia.
Ela reforça que isso não é um movimento único do Brasil: isso tem se repetido nos outros países da América do Sul e da América Latina que cercam o país.

