O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez diversas declarações na última segunda-feira (06) que mexeram com o valor do petróleo. Ele ameaçou, com vários palavrões, bombardear infraestrutura do Irã se o Estreito de Ormuz não for reaberto até esta terça-feira (07). Teerã, por sua vez, prometeu retaliar.
“Terça-feira será o Dia da Usina Elétrica e o Dia da Ponte, tudo em um só, no Irã. Nunca haverá nada igual!! Abram essa porra de estreito, seus bastardos malucos, ou vocês vão viver no inferno. Vocês vão ver! Louvado seja Alá”, escreveu o presidente em sua rede social, a The Truth Social.
Esse é um tipo de comunicação sem precedentes em tempos de guerra, indicando possíveis crimes de guerra caso seja, de fato, cumprido.
Segundo a CNN, mesmo antes do prazo estipulado por Trump expirar, ataques foram relatados nesta manhã em locais de infraestrutura crítica ou nas proximidades. Os EUA atacaram instalações militares na Ilha de Kharg — principal centro de exportação de petróleo do Irã — embora não tenham atingido instalações petrolíferas.
O Estreito de Ormuz é um dos principais canais de transporte de cerca de 30% do petróleo mundial e é controlado em boa parte pelo Irã. O bloqueio, iniciado desde o final de fevereiro, já prejudica o valor do combustível para diversos países, especialmente aqueles que importam a commodity da região, como os EUA.
Por que as falas de Trump configuram como crime de guerra?
O republicano disse em outra declaração que um dos planos do Exército americano era destruir todas as pontes e usinas de energia no Irã até a meia-noite de terça-feira. “Quero dizer, demolição completa até meia-noite”, disse.
Na manhã de hoje, ele reforçou que “uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser trazida de volta”, escreveu no Truth Social . “Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá.”
Ele também já ameaçou atacar outras infraestruturas iranianas, incluindo poços de petróleo e usinas de dessalinização de água.
Essas falas podem configurar como crimes de guerra. Ainda de acordo com a CNN, atacar infraestruturas civis críticas pode ser considerado um crime de guerra, visto que objetos indispensáveis à sobrevivência de uma população — como estações de tratamento de água — são proibidos como alvos militares pelas Convenções de Genebra.
Infraestruturas do tipo podem ser alvos caso tenha dupla utilização para as forças armadas do Irã. No entanto, Trump ameaçou explodir todas as usinas de energia, o que ocasionaria em caos generalizado entre os civis e falta de recursos de segurança.
Alguns líderes de outras nações já entraram em contato com Trump privadamente para alertar sobre os ataques, mas ainda não fizeram críticas públicas ao presidente da maior potência econômica atual.
Custos políticos para Trump
A guerra iniciada pelos Estados Unidos contra o Irã pode impor diversos e graves custos políticos ao presidente Donald Trump, segundo analistas entrevistados pelo g1.
O tempo de conflito ainda está indeterminado, à medida em que as forças iranianas resistem. Ao mesmo tempo, os preços do petróleo disparam e já alcançam a casa dos US$ 100 por barril.
Para Trump, o cenário é delicado: ele busca maneiras de arrefecer a alta do petróleo enquanto acalma os eleitores americanos que devem escolher novos parlamentares em novembro. A expectativa é de que o preço da gasolina suba e a guerra permaneça entre os americanos.
No entanto, o humor dos eleitores está se deteriorando, de acordo com Denilde Holzhacker, professora de relações internacionais da ESPM, em entrevista ao g1. Para ela, Trump tenta transmitir a mensagem de que a guerra vai acabar, que o Estreito de Ormuz será controlado, mas não há qualquer fundamento para essa afirmação.
O Estreito de Ormuz é o único canal que liga a passagem de petróleo do Golfo ao Oceano Índico. Isso significa que os navios petroleiros que circulam na região transportam diariamente cerca de 30% do consumo total da commodity.
Desde o início dos conflitos, em fevereiro, o Irã bloqueia a passagem, o que afeta diretamente a demanda e o preço do petróleo.
Os EUA terão, em novembro, eleições de meio de mandato, em que os estadunidenses devem escolher novos governadores, 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado. O momento é decisivo para entender se Trump terá o apoio necessário nas duas Casas Legislativas, visto que atualmente os republicanos — partido de Trump — dominam as casas.

