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Geopolítica

Guerra no Irã pressiona economia dos EUA e testa força política de Trump

Com eleições de meio de mandato percepção do eleitorado nos EUA deve ser determinante em novembro

Guerra no Irã pressiona economia dos EUA e testa força política de Trump

A guerra no Oriente Médio pode pressionar o debate sobre política externa nos Estados Unidos e ter reflexos no campo eleitoral ligado ao presidente Donald Trump. Atualmente os EUA vivem um cenário de instabilidade econômica. O Federal Reserve, por exemplo, sinalizou que deve realizar apenas um corte de juros em 2026, mantendo cautela diante da inflação persistente e das incertezas globais.

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A taxa foi mantida entre 3,50% e 3,75%, com projeção de inflação elevada, indicando foco no controle inflacionário e evitando estímulos prematuros. A guerra com o Irã tem impacto secundário frente à inflação nos Estados Unidos.

O Brasilianista destacou que o período será instabilidade moderada prolongada com inflação persistente, crescimento mais fraco e maior volatilidade global. Flavio Goldberg, advogado e mestre em Direito avalia que a situação de guerra atual influencia o cenário político dos Estados Unidos e impacta, de forma indireta, o desempenho eleitoral de aliados do ex-presidente Donald Trump.

Instabilidade internacional normalmente destacam lideranças com posicionamentos mais firmes na política externa. A atuação de Trump, por exemplo, é frequentemente associada a uma leitura mais pragmática do sistema internacional, principalmente ao reconhecer o direito de autodefesa de Israel.

“Nos momentos em que a ordem internacional se vê tensionada por conflitos armados, o discurso jurídico deixa de ser mera retórica normativa e assume feição concreta de preservação civilizatória. Em cenários de fratura geopolítica, a autoridade internacional não se sustenta pela ambiguidade, mas pela afirmação clara de limites”, avalia o advogado.

Eleições podem testar força de Trump

No momento, a inflação gerou perda de empregos e maior volatilidade. O custo de vida pesa mais para os eleitores, especialmente os de renda média e baixa o que transforma o preço da energia em um termômetro político importante, sobretudo nos estados indecisos, que costumam definir o resultado das eleições.

Economistas apontam que a alta do petróleo também afeta diretamente a economia: um aumento de 10% no preço pode reduzir o crescimento do PIB dos EUA em cerca de 0,2 ponto percentual, enquanto uma alta de US$ 10 no barril pode elevar a inflação em aproximadamente 0,1 ponto.

Trump pode começar a se preocupar em novembro deste ano com as eleições no meio de seu mandato. Estadunidense não as ruas para renovar os governos estaduais, toda a Câmara e parte do Senado e serão decisivas para medir o apoio político de Donald Trump, já que os republicanos hoje controlam o Congresso.

Mesmo sem poder disputar um terceiro mandato consecutivo, Trump mantém influência relevante no campo político. No plano institucional, a possibilidade de Donald Trump ocupar a vice-presidência encontra restrições na 22ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que limita o exercício reiterado do poder executivo.

Goldberg destaca que essa força não se limita ao exercício formal do poder e pode ser transferida a aliados, especialmente em períodos de maior insegurança global. Ainda assim, sua capacidade de influência política permanece ativa, seja por meio de apoios diretos ou pela condução de pautas públicas.

No constitucionalismo o poder formal encontra limites, mas o poder político, não raramente, os transcende.

Como fica os próximos meses?

O cenário para os próximos meses indica a manutenção de capital político relevante por parte de Trump, especialmente diante de um ambiente internacional instável. De acordo com o advogado, há uma tendência de fortalecimento de lideranças que demonstram firmeza e previsibilidade.

“Em períodos de instabilidade internacional, há uma tendência de fortalecimento de lideranças que projetam previsibilidade decisória e firmeza institucional”, afirma.

Apesar das tensões no ambiente político, não há sinais de desagregação significativa de sua base. A história demonstra que, em tempos de crise, segundo Goldberg, a coesão gravitacional tende a se formar em torno de quem promete ordem e não de hesitação.

Em relação à política externa, o especialista avalia que ações que combinam contenção de conflitos com aumento de tensões, como no caso do Irã, não representam contradição, mas estratégia. Segundo ele, essa abordagem pode ser compreendida a partir da teoria da dissuasão, em que a demonstração de força atua como instrumento de prevenção de conflitos mais amplos.

“Aparentemente paradoxal, tal movimento revela coerência quando analisado à luz da teoria da dissuasão. A paz, no sistema internacional, não raro é fruto da contenção eficaz, e não da concessão irrestrita”, explica Goldberg.

Os aliados de Trump, por sua vez, seguem uma diretriz identificável em política externa, baseada na defesa do interesse nacional, no fortalecimento de alianças estratégicas e na resposta a ameaças à estabilidade. Ainda que a execução varie conforme o contexto, Goldberg afirma que não se trata de improviso.

“Há uma diretriz identificável que orienta tais atores: primazia do interesse nacional, reforço de alianças estratégicas e enfrentamento de ameaças concretas à estabilidade. Em ambientes de incerteza, a excessiva dependência do consenso pode converter-se em paralisia institucional”, enfatiza o advogado.

Percepção do eleitorado estadunidense

Segundo o especialista, guerras e conflitos costumam favorecer candidatos que passam a imagem de controle e capacidade de reação. Por outro lado, quando essas crises se prolongam, podem gerar desgaste político, já que tudo depende de como o eleitor percebe o risco: ele aceita firmeza, mas não tolera a sensação de desordem por muito tempo.

Nos Estados Unidos, o cenário interno mistura preocupações econômicas e internacionais. Inflação e custo de vida dividem espaço com o tema da segurança global, o que, na avaliação de Goldberg, fortalece propostas que tentam equilibrar estabilidade econômica com uma atuação externa mais firme.

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