O Paquistão enviou na última segunda-feira (06) uma proposta ao Irã e Estados Unidos prevendo um cessar-fogo de 45 dias. Segundo o g1, ambas as partes rejeitaram, e o petróleo voltou a subir.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez diversas declarações que mexeram com o valor do petróleo. Ele ameaçou, com vários palavrões, bombardear infraestrutura do Irã se o Estreito de Ormuz não for reaberto até esta terça-feira (07). Teerã, por sua vez, prometeu retaliar.
“Terça-feira será o Dia da Usina Elétrica e o Dia da Ponte, tudo em um só, no Irã. Nunca haverá nada igual!! Abram essa porra de estreito, seus bastardos malucos, ou vocês vão viver no inferno. Vocês vão ver! Louvado seja Alá”, escreveu o presidente em sua rede social, a The Truth Social.
Esse é um tipo de comunicação sem precedentes em tempos de guerra, indicando possíveis crimes de guerra caso seja, de fato, cumprido.
Já em relação ao acordo enviado pelo Paquistão, Trump disse que a proposta “não era boa suficiente”. Ele também alertou que seu ultimato não será adiado e que o Irã “pagará um preço muito alto”.
À repórteres, o republicano disse ainda que o Irã poderia ser tomado em uma única noite e que isso poderia acontecer nesta terça.
Como era a proposta do Paquistão?
Ainda de acordo com o g1, o cessar-fogo proposto pelo Paquistão entraria em vigor imediatamente e poderia permitir a reabertura do Estreito de Ormuz, principal canal de transporte de commodities e alimentos do Golfo Pérsico.
Logo em seguida, as partes teriam entre 15 e 20 dias para concluir um acordo mais amplo.
Os países estavam negociando um cessar-fogo de 45 dias que poderia acarretar no fim permanente da guerra. Israel, no entanto, não foi mencionado no acordo do Paquistão.
Custos políticos para Trump
A guerra iniciada pelos Estados Unidos contra o Irã pode impor diversos e graves custos políticos ao presidente Donald Trump, segundo analistas entrevistados pelo g1.
O tempo de conflito ainda está indeterminado, à medida em que as forças iranianas resistem. Ao mesmo tempo, os preços do petróleo disparam e já alcançam a casa dos US$ 100 por barril.
Para Trump, o cenário é delicado: ele busca maneiras de arrefecer a alta do petróleo enquanto acalma os eleitores americanos que devem escolher novos parlamentares em novembro. A expectativa é de que o preço da gasolina suba e a guerra permaneça entre os americanos.
No entanto, o humor dos eleitores está se deteriorando, de acordo com Denilde Holzhacker, professora de relações internacionais da ESPM, em entrevista ao g1. Para ela, Trump tenta transmitir a mensagem de que a guerra vai acabar, que o Estreito de Ormuz será controlado, mas não há qualquer fundamento para essa afirmação.
O Estreito de Ormuz é o único canal que liga a passagem de petróleo do Golfo ao Oceano Índico. Isso significa que os navios petroleiros que circulam na região transportam diariamente cerca de 30% do consumo total da commodity.
Desde o início dos conflitos, em fevereiro, o Irã bloqueia a passagem, o que afeta diretamente a demanda e o preço do petróleo.
Os EUA terão, em novembro, eleições de meio de mandato, em que os estadunidenses devem escolher novos governadores, 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado. O momento é decisivo para entender se Trump terá o apoio necessário nas duas Casas Legislativas, visto que atualmente os republicanos — partido de Trump — dominam as casas.

