O governo estuda adotar uma estratégia dupla para garantir o avanço da proposta que põe fim à escala de trabalho 6×1. Embora ainda dê um voto de confiança ao presidente da Câmara, Hugo Motta, o Palácio do Planalto já prepara um plano alternativo, enviar um Projeto de Lei (PL) com regime de urgência constitucional caso a tramitação atual não avance no ritmo esperado.
A avaliação interna é que a PEC, por exigir quórum qualificado e tramitação mais longa, pode não entregar o resultado no tempo político desejado. Nesse cenário, o envio de um PL com urgência constitucional surge como instrumento para impor prazos.
A articulação é conduzida pela Secretaria-Geral da Presidência, sob comando do ministro Guilherme Boulos, e ainda depende de ajustes finais na Casa Civil antes de ser oficialmente enviada ao Congresso. Do lado da Câmara, Hugo Motta tem defendido que o debate ocorra por meio da PEC, argumentando que mudanças estruturais nas relações de trabalho exigem maior amadurecimento e diálogo com diferentes setores.
O parlamentar tem enfatizado a necessidade de equilibrar os interesses dos trabalhadores com as preocupações do setor produtivo, que vê com cautela o fim da escala 6×1. A proposta enfrenta resistência principalmente de segmentos empresariais, que alertam para possíveis impactos sobre custos e produtividade.
Governo aposta em bandeira eleitoral
Apesar da resistência, o governo vê na proposta uma oportunidade política relevante. O fim da escala 6×1 dialoga diretamente com a base trabalhadora e pode se consolidar como uma das principais bandeiras sociais da campanha de reeleição de Lula.
A decisão de avançar via PL com urgência também carrega riscos. Ao encurtar o debate, o governo pode ampliar a resistência no Congresso e entre empresários, além de abrir espaço para críticas sobre falta de diálogo.

