Um estudo sobre publicidade nas redes sociais mostra que 73% dos brasileiros afirmam sentir saturação com conteúdos patrocinados, conhecidos como “publis”.
O levantamento também indica que apenas 16% defendem o fim desse tipo de conteúdo, enquanto a maioria aponta problemas na forma como os anúncios são apresentados.
A pesquisa faz parte do relatório “O Futuro das Publis”, produzido por Nozy Content Agency em parceria com a Cigarra Buzz Agency e divulgada pela CNN Brasil.
Rejeição cresce com excesso e formato artificial
A percepção negativa está diretamente ligada ao modo como a publicidade é inserida nas redes sociais, e não necessariamente à presença dos anúncios.
O levantamento mostra que 85% dos usuários pulam conteúdos patrocinados quando parecem forçados ou desconectados do perfil do criador.
Esse comportamento está associado à sensação de artificialidade, que reduz o interesse do público e afeta o desempenho das campanhas.
A rejeição se intensifica quando o conteúdo não apresenta relação com a rotina ou com a identidade do influenciador.
Além disso, cerca de 30% dos entrevistados afirmam que experiências negativas com publis podem afetar a confiança tanto no criador quanto no produto anunciado.
Confiança depende de autenticidade e uso real
Apesar da saturação, a publicidade nas redes ainda mantém espaço relevante quando há identificação com o conteúdo. Parte dos usuários demonstra maior aceitação quando percebe autenticidade nas recomendações.
Dados compartilhados pela Nozy Content Agency, em publicação no LinkedIn, indicam que 45% das pessoas ainda confiam em publis, desde que elas sejam produzidas de forma coerente com o perfil do criador.
O mesmo levantamento aponta que 25% dos usuários só confiam em anúncios quando há evidência de uso real do produto, enquanto 22% associam a credibilidade à transparência na comunicação.
Mercado cresce e amplia disputa por atenção
O cenário ocorre em um país que concentra um dos maiores ecossistemas de influência digital do mundo. O volume de criadores e conteúdos patrocinados amplia a concorrência pela atenção do público.
O Brasil possui cerca de 3,8 milhões de influenciadores digitais, além de responder por 14,5% de todos os posts patrocinados do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
O tempo médio de conexão também contribui para esse ambiente, com usuários brasileiros passando mais de nove horas por dia online, o que intensifica a exposição a conteúdos publicitários.
Formato da publi passa por transformação
A forma tradicional de publicidade nas redes sociais vem sendo pressionada por mudanças no comportamento do público. O modelo baseado em interrupção perde espaço para formatos mais integrados ao conteúdo.
De acordo com análise publicada no LinkedIn pela Nozy, campanhas com humor, storytelling e avaliações reais tendem a manter maior engajamento, por se aproximarem da linguagem natural das redes.
O estudo também aponta que a publicidade tende a se tornar cada vez mais integrada ao conteúdo, dificultando a distinção clara entre anúncio e publicação orgânica.
Nova lei amplia responsabilidades no ambiente digital
A transformação do mercado ocorre paralelamente a mudanças regulatórias que afetam diretamente a atuação de influenciadores e empresas. A chamada Lei dos Influenciadores estabelece novas regras para o setor.
Como divulgado pelo O Brasilianista, a legislação define a atividade de criadores de conteúdo como profissão e amplia a responsabilidade sobre o material divulgado nas plataformas digitais.
O texto também prevê a necessidade de formalização de contratos em ações publicitárias e abre espaço para eventual tributação sobre conteúdos patrocinados.
Exigências aumentam para criadores e marcas
Com a nova regulamentação, influenciadores e empresas passam a ter obrigações mais claras na relação comercial e na produção de conteúdo.
Profissionais podem responder judicialmente por conteúdos divulgados, o que reforça a necessidade de maior cuidado com informações e promessas feitas ao público.

