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Geopolítica

Cessou fogo, e agora? As consequências após trégua entre EUA e Irã e com possível fim da guerra

Com os documentos de paz do Irã, mercados já se preparam para o a possibilidade de encerramento do conflito

Cessou fogo, e agora? As consequências após trégua entre EUA e Irã e com possível fim da guerra

Alguns conteúdos do plano de paz apresentado pelo Irã aos Estados Unidos, foram revelados pelo Conselho de Segurança Nacional iraniano e repercutidos pela Al Jazeera e indicam que a guerra no Oriente Médio pode estar próxima do fim. O presidente norte-americano Donald Trump disse que o documento serve como “base viável para negociação” e que a leitura o levou a suspender os ataques e à implementar de um cessar-fogo na região na noite da última terça-feira (07).

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O fim do conflito pode redefinir de forma rápida os prêmios de risco geopolítico e beneficiar os mercados e investimentos globais.

No plano é negociado a coordenação das forças armadas, suspensão dos combates contra integrantes do “eixo da resistência”, retirada total das tropas norte-americanas das bases na região, novas normas de passagem segura para o Estreito de Ormuz, garantindo primazia iraniana e entre outros pontos descritos pelo O Brasilianista.

Possíveis mudanças pós guerra

Linconl Rocha, presidente da Pagos disse ao O Brasilianista que o cenário deve trazer alívio nos custos de produção, redução da pressão inflacionária e recuperação de mercados dependentes de importações de energia. O primeiro efeito esperado é o chamado “dividendo da paz” que deve fazer com que os mercados de petróleo Brent e Gás Natural Liquefeito (GNL) recuem rapidamente.

“O mercado financeiro antecipa cenários, e a simples sinalização de um acordo remove imediatamente o prêmio de risco geopolítico que hoje está embutido nos preços”, explica o especialista.

Na economia real, a queda no preço da energia tende a baratear a produção e o transporte, dando margem para que os bancos centrais reconsiderem suas políticas de juros. Nos mercados europeu e asiático é esperado uma recuperação inicial mais intensa, por causa da dependência de importações de energia e da relevância estratégica do Estreito de Hormuz, segundo Rocha.

O petróleo pode reagir rápido e os produtos agrícolas demorarem para se ajustarem devido a paralisação na produção de fertilizantes durante os ataques. O Golfo Pérsico fornece 46% do suprimento mundial de ureia, e interrupções em plantas como a da Qatar Fertiliser Company elevaram os preços em cerca de 60%.

Ativos e investimentos fazem parte do processo

Com a paz, segundo Rocha, se os investidores buscaram segurança em dólar e ouro, agora o apetite ao risco pode retornar, favorecendo ativos de risco e mercados internacionais. Setores impactados pelo alto custo do combustível, como companhias aéreas e indústrias de base, podem se destacar.

Já investidores em mercados emergentes voltam a observar ações pagadoras de dividendos, enquanto fundos soberanos do Oriente Médio, que acumularam caixa com o petróleo em alta, podem direcionar recursos a infraestrutura, tecnologia e energia.

A redução de juros é apontada como fator relevante para retomar operações de fusões e aquisições, especialmente em países como o Brasil, além disso, explica o especialista, o setor financeiro está mais preparado para lidar com volatilidade cambial e realocação de fluxos globais.

Conflito faz países buscarem seguro nuclear

O conflito no Oriente Médio tem servido como justificativa para o reforço de arsenais nucleares em várias partes do mundo como já publicado pelo O Brasilianista. Líderes como Kim Jong Un, da Coreia do Norte, defendem que possuir armas nucleares garante proteção e dissuasão, citando o cenário internacional atual como exemplo da vulnerabilidade de países sem poder nuclear.

O ministro russo Sergei Lavrov destacou que a instabilidade pode levar países da região a buscar armas nucleares, enquanto o presidente francês Emmanuel Macron anunciou a ampliação do arsenal francês como resposta a avanços militares de adversários.

Na Ásia, a China tem investido no desenvolvimento de armas nucleares mais avançadas, incluindo testes secretos e modernização de seu arsenal, segundo inteligência americana, embora Pequim negue acusações e critique a postura dos EUA.

Especialistas observam que conflitos regionais estão sendo usados para justificar expansão militar e que isso enfraquece acordos de controle de armas, aumenta tensões internacionais e estimula uma nova corrida armamentista com mais atores e menor previsibilidade.

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