Uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o possível fechamento das apostas online no Brasil repercutiu nesta quarta-feira (08). Em entrevista a Leandro Demori e Eduardo Moreira do ICL Notícias, Lula afirmou que, caso dependa dele, as chamadas “bets” seriam encerradas.
Ele argumentou que a presença das apostas no mundo digital cresce em número de acessos, principalmente entre jovens. Para o presidente, o tema vem sendo discutido com seriedade pelo governo.
Apesar disso, o presidente entende e reconhece, segundo o mesmo, que mudanças estruturais podem chegar a enfrentar dificuldades de avanço e ainda depender de negociação com o Congresso.
Seu posicionamento ocorre na mesma semana em que veio a tona uma preocupação do governo com o aumento do endividamento das famílias brasileiras. Segundo O Brasilianista, mesmo com indicadores positivos como baixa taxa de desemprego e crescimento da renda, o peso das dívidas ainda compromete o orçamento doméstico.
O economista Linconl Rocha, presidente da Associação Brasileira do Ecossistema de Pagamentos (PAGOS), destacou que há desafios relevantes ligados à política monetária, controle fiscal e aos efeitos sociais do endividamento.
Segundo ele, o custo do crédito permanece elevado no país, com juros do rotativo superiores a 400% ao ano, levando milhões de brasileiros a recorrerem a esse tipo de financiamento e ampliando a inadimplência. Os impactos sociais desse cenário, já figuram entre os principais desafios econômicos, com reflexos diretos sobre a renda das famílias.
Além disso, a projeção da taxa Selic para o fim de 2026 subiu para 12,50% ao ano, mantendo o crédito em patamar elevado.
O peso das bets
As apostas online são um dos principais fatores de pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras. O Brasilianista detalha que estudos do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) e da FIA Business School indicam que as bets possuem impacto superior ao de fatores tradicionais, como juros e crédito, na inadimplência.
De acordo com o levantamento, as apostas correspondem a 0,2255 dos motivos do endividamento, superando o peso do crédito sobre a renda (0,0440) e dos juros ao consumidor (0,0709).
Ainda, esse efeito atinge principalmente famílias mais vulneráveis, que recorrem a modalidades caras, como cartão de crédito e cheque especial, para sustentar esse tipo de gasto.
Avanço reflete no volume de dívidas no país
Dados também revelam que em fevereiro de 2026, cerca de 81,7 milhões de brasileiros estavam endividados. Isso é aproximadamente R$ 539 bilhões. Uma boa parte dessa renda está comprometida, com quase metade do rendimento anual destinada a dívidas e cerca de um terço da renda mensal voltado ao pagamento de juros.
Além do impacto direto sobre o consumo, o crescimento das apostas está paralelamente atrelado à expansão do mercado ilegal. Estimativas indicam que entre 20% e 52% das operações estejam fora do ambiente regulado. Essa informalidade representa uma perda anual entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões que deixam de ser convertidos em políticas públicas.
Especialistas também apontam dificuldades no controle dessas operações, com uso de mecanismos como o Pix por plataformas ilegais. Ao mesmo tempo, há avaliação de que o excesso de regulação pode incentivar a migração de usuários para fora do mercado formal, ampliando os desafios para o país.

