Em 2025, o governo de Donald Trump alegou que investigaria o Pix por suposta “má prática” de concorrência de mercado. Já na última quarta-feira (08), o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) criou uma consulta pública para analisar a viabilidade de um modelo parecido de pagamentos instantâneos, o FedNow.
A ferramenta ainda está em processo de desenvolvimento e de testes pela autarquia americana, mas possui algumas diferenças em relação ao método de pagamento brasileiro — em especial, na adesão da plataforma.
O Pix, lançado pelo Banco Central (BC) em 2020, já é uma forma de pagamento adepta por 80% da população brasileira, de acordo com a entidade, garantindo uma forma de transação automática sem dependência de uma instituição financeira privada. Em pouco mais de cinco anos de criação, o Pix compete sua quantidade de uso com o cartão de crédito, por exemplo.
Já o FedNow, de acordo com a Anefac, também garante pagamentos em tempo real, 24 horas por dia e todos os dias para instituições financeiras de diferentes portes. No entanto, o principal desafio será a concorrência com outros sistemas de pagamento instantâneo de instituições privadas.
Ainda assim, a expectativa do Fed é lançar a ferramenta em grande escala já em 2027.
“Por meio das instituições financeiras participantes do serviço FedNow, empresas e indivíduos podem enviar e receber pagamentos instantâneos em tempo real, 24 horas por dia, todos os dias do ano. As instituições financeiras e seus provedores de serviços podem usar o serviço para oferecer serviços inovadores de pagamento instantâneo aos clientes, e os destinatários terão acesso imediato aos fundos, permitindo maior flexibilidade financeira ao realizar pagamentos urgentes”, justifica o Fed a implementação do FedNow.
Dificuldades de adesão do FedNow vs. Pix
Um dos impasses de maior preocupação no Fed é a baixa adesão à solução do banco central, visto que há mais de 5 mil bancos nos EUA e nem todos — especialmente os grandes e tradicionais — começaram a utilizar pagamentos instantâneos.
De toda forma, a implementação deve ser feita em fases, com a finalidade de que tanto pessoas físicas quanto jurídicas possam transacionar recursos.
A justificativa do Fed é de que o FedNow daria um suporte extra caso as iniciativas privadas não funcionarem. Contrário ao que o BC começou no Brasil, mercado onde não existia o pagamento instantâneo.
No Brasil, o Pix concentra as transações financeiras a qualquer momento com a segurança e respaldo de ser uma ferramenta pública e que cumpre regulamentos de transparência.
O sistema brasileiro cresceu em funcionalidades. Hoje, o Pix ultrapassa as transferências entre pessoas físicas e se consolidou no comércio com recursos como PIX Cobrança, PIX Saque, PIX Troco, PIX Agendado, PIX por Aproximação, PIX Parcelado, além da integração com o Open Finance, em que instituições financeiras podem conferir as informações de outras contas de instituições diferentes, desde que seja do mesmo titular.
O Pix ainda deve passar por internacionalização após o pedido do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, para que o Brasil estenda a ferramenta ao país.

