Um levantamento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) indica que, embora a Inteligência Artificial (IA) já faça parte da estratégia de uma parcela relevante da indústria, diferenças em maturidade, conhecimento e estrutura ainda influenciam diretamente o nível de adoção.
Ao todo, 72,2% das empresas consideram que a IA exerce impacto relevante em seus negócios, enquanto 36,9% já utilizam ou estão em fase de testes com a tecnologia, sendo a IA generativa a principal porta de entrada. O estudo também aponta que esse movimento ocorre de maneira desigual entre os diferentes perfis mapeados.
O grupo classificado como vanguarda, que reúne cerca de 17,5% das empresas, concentra o estágio mais avançado de implementação. Essas organizações operam com dados estruturados, aplicam IA em diversas áreas e incorporam a tecnologia às rotinas de gestão.
Esse perfil apresenta ganhos de produtividade, redução de custos e avanço na exploração de novos modelos de negócio, especialmente em áreas como produção e logística. Ainda assim, enfrenta dificuldades relacionadas à integração com sistemas antigos e à mensuração do retorno sobre investimento.
Já os pragmáticos, que correspondem a 36,5% da amostra, seguem uma lógica mais gradual. Essas empresas realizam testes por meio de projetos-piloto e ampliam a adoção apenas após comprovação de resultados. O foco recai sobre eficiência operacional e redução de custos, com aplicações como previsão de demanda entre as mais recorrentes.
Entre os entraves está a dificuldade em comprovar retorno financeiro e a fragmentação de dados, que limita análises mais aprofundadas.
Céticos precisam de um “norte”
Com 29,5% de participação, os cautelosos reconhecem o potencial da IA, mas ainda esbarram em limitações estruturais. Em geral, são empresas de menor porte, com digitalização parcial e forte centralização nas decisões.
Esse grupo demonstra interesse em soluções como automação e ganhos de produtividade, porém demanda orientação prática, capacitação técnica e exemplos aplicáveis. A incerteza quanto ao retorno dos investimentos e a desorganização dos dados aparecem como obstáculos frequentes.
Os céticos, por sua vez, representam 16,5% das empresas e registram o menor nível de adoção. Trata-se, em sua maioria, de negócios de pequeno porte, com baixo grau de digitalização e processos mais informais. Nesse grupo, a IA costuma ser associada a riscos, custos elevados e possível perda de controle operacional.
A falta de conhecimento sobre a tecnologia, somada às preocupações com segurança da informação e à resistência cultural, dificulta o avanço.
Problemas comuns
Apesar das diferenças entre os perfis, o levantamento identifica pontos em comum. Entre as principais demandas para aplicação da IA estão o aumento de vendas (47,4%), a previsão de demanda (32,6%) e a inteligência de mercado (28,4%).
Entre os desafios mais citados aparecem a segurança das informações, a indisponibilidade de dados confiáveis e a dificuldade de entender como aplicar a tecnologia nos negócios. O estudo também destaca que a ausência de diretrizes internas figura como um dos principais gargalos, com média de 2,8 no autodiagnóstico de maturidade.
Durante a Jornada de Inteligência Artificial promovida pela Fiesp, o especialista Alexandre Nascimento apresentou exemplos práticos de uso da tecnologia e abordou tendências globais para a indústria. O evento reuniu empresas interessadas em desenvolver soluções voltadas a vendas, previsão de demanda, planejamento produtivo e controle de qualidade.
A Fiesp aponta ainda que as empresas buscam, principalmente, cursos, treinamentos e consultorias especializadas para avançar na adoção da IA, além de suporte técnico e financeiro.

