O cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã anunciado no início desta semana trouxe alívio imediato após semanas de conflito que interromperam o fluxo de energia no Estreito de Ormuz e afetaram a economia global.
Iniciada em fevereiro, a principal justificativa da entrada dos EUA e Israel no conflito com o Irã era impedir o aumento de arsenal nuclear do país pérsico. Após pouco mais de um mês de guerra, será que isso foi atingido?
Como mostrou O Brasilianista, o acordo de cessar-fogo inicial é frágil. A principal fonte de instabilidade está na circulação de energia pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global que, mesmo após o anúncio da trégua, a reabertura da rota não ocorreu de forma plena, o que mantém embarcações aguardando autorização para seguir viagem.
A durabilidade da trégua também passou a ser questionada poucas horas após sua implementação. O Irã voltou a restringir a passagem de petroleiros após novos ataques na região, indicando fragilidade no cumprimento dos termos estabelecidos.
O que os EUA queriam no início do conflito?
Segundo a BBC, o principal objetivo de guerra do presidente dos EUA, Donald Trump, era negar ao Irã a capacidade de desenvolver uma arma nuclear. No entanto, esse arsenal era algo que o Irã afirmou nunca ter planejado fazer.
Vale lembrar que esse já era um objetivo dos EUA há muitos anos. O republicano avaliava que o acordo nuclear global com o Irã, o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) — intermediado pelo ex-presidente americano Barack Obama — era muito fraco.
Além disso, Trump declarou que tinha a intenção de fazer uma mudança de regime no Irã. Em vídeo anunciando a guerra, ele convocou os iranianos a assumirem o controle do governo quando os bombardeios EUA-Israel terminassem.
Porém, a “rendição incondicional” dos líderes iranianos não aconteceu, mesmo com o assassinato do Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Isso porque seu filho, Mojtaba, foi nomeado como sucessor.
Ainda de acordo com a BBC, Trump afirmou que a nova liderança é menos “radicalizada e muito mais inteligente” do que seus antecessores. No entanto, sua intenção era repetir o ataque de Washington à Venezuela, em que conseguiu capturar o presidente Nicolás Maduro e ter maior controle sobre a política e economia do país sul-americano.
O objetivo da guerra foi atingido?
Desde 2015, no primeiro mandato de Donald Trump, o acordo nuclear com o Irã foi rompido, como consequência, o relacionamento diplomático entre os países estava abalado. A aproximação da ação militar também culminou na guerra.
Em meio ao cessar-fogo temporário e frágil, segundo a BBC há poucas evidências de qualquer resultado significativo para Trump na questão nuclear.
Apesar dos bombardeios a instalações nucleares no Irã, o país segue com um estoque significativo de urânio enriquecido próximo ao grau de pureza necessário para armas nucleares. A hipótese é de que esse elemento esteja escondido em cilindros de gás sob os escombros.
Trump afirmou que os EUA devem trabalhar em conjunto ao Irã para “desenterrar e remover toda a poeira nuclear profundamente enterrada”.
Pode-se argumentar que Teerã agora – com uma liderança ainda mais suspeita no poder – poderia estar mais, e não menos, determinada a buscar uma capacidade nuclear para dissuadir outro ataque dos EUA.
Ou sejam, os principais objetivos de Trump com a guerra não se concretizaram.
O custo da guerra para os EUA
Os Estados Unidos estavam injetando cerca de meio bilhão de dólares por dia na guerra contra o Irã. As informações são do The Guardian com base em analistas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).
Uma semana após as forças americanas e israelenses iniciarem seu ataque ao Irã, funcionários do Pentágono informaram a parlamentares, em uma reunião fechada, que o custo da guerra já havia ultrapassado US$ 11,3 bilhões apenas nos primeiros seis dias.
Ainda, o Estreito de Ormuz o principal canal de petróleo do mundo estava praticamente fechado, o que traz problemas logísticos e energéticos globalmente.
Fontes ouvidas pelo The Guardian ainda afirmaram que os gastos não recaem apenas à munições, mas também forças mobilizadas para a região, despesas médicas e a substituição de aeronaves militares perdidas em combate.
No sexto dia de conflito, o CSIS estimou o custo acumulado em US$ 12,7 bilhões. Depois de quase vinte dias, é provável que já tenha ultrapassado US$ 18 bilhões.
Vale destacar que as primeiras horas da guerra foram dominadas por algumas das armas mais caras do arsenal americano, utilizando mísseis de longo alcance, interceptores de mísseis balísticos e sistemas de radar.

