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Geopolítica

Mercado internacional enxerga cessar-fogo como “alívio tenso”, alerta Thiago de Aragão

O diretor de estratégia da Arko Advice explica que investidores internacionais não enxergam a trégua como uma saída definitiva para os conflitos

Mercado internacional enxerga cessar-fogo como “alívio tenso”, alerta Thiago de Aragão

Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no início desta semana, em ameaças ao Irã caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto, aumentou as preocupações nos mercados globais sobre uma maior intensificação dos conflitos. Segundo o diretor de estratégia da Arko Advice e assessor direto de fundos estrangeiros entre Washington DC, Nova York e Brasília, Thiago de Aragão, apesar da realização de um acordo de cessar-fogo entre os países, Wall Street vê o movimento como um alívio tenso.

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“O humor em NY hoje é de alívio tenso, não de euforia. O fato de os índices terem ficado praticamente de lado depois da frase “uma civilização inteira morrerá” mostra que o mercado leu o discurso do Trump mais como peça de negociação de alto risco do que como sinal concreto de escalada imediata. Em Wall Street, o foco está muito mais em “quando vem o cessar-fogo formal e a reabertura operacional de Ormuz” do que em um cenário de guerra aberta e prolongada; a precificação embute prêmio de risco, mas não colapso. Em resumo, o mercado compra a tese de desescalada gradual, porém com volatilidade alta a cada manchete contraditória”, afirma Aragão em entrevista ao E-Investidor.

O assessor explica que agentes do mercado não enxergam a trégua como uma saída definitiva para os conflitos no Oriente Médio. Segundo ele, o mercado espera uma desescalada gradual, porém com a presença de volatilidade alta a cada nova manchete contraditória. “Em Wall Street, o foco está muito mais em ‘quando vem o cessar-fogo formal e a reabertura operacional de Ormuz’ do que em um cenário de guerra aberta e prolongada; a precificação embute prêmio de risco, mas não colapso”, completa.

Perspectivas para o fim do conflito

Ao comentar a expectativa de encerramento do conflito, o diretor de estratégia da Arko Advice destaca que investidores internacionais não trabalham com a ideia de um fim imediato da guerra. De acordo com o que observou, a leitura predominante é de uma redução da intensidade dos confrontos, mas ainda sem solução estrutural.

“Ninguém sério em mercado está tratando isso como ‘fim definitivo’ da guerra. O que se enxerga é um armistício tático, condicionado à reabertura do Estreito de Ormuz e a algum tipo de arranjo de segurança aceitável para Washington e Teerã. A leitura dominante é a de que o conflito entra agora numa fase de congelamento: menos mísseis e mais diplomacia coercitiva, mas com risco permanente de recaída se algum lado testar os limites do acordo”, explica o diretor de estratégia da Arko Advice.

Estreito de Ormuz

O fato é que o movimento de trégua entre os Estados Unidos e o Irã pode ter contribuído para reduzir os riscos que pressionava os ativos globais. Após breve abertura do Estreito de Ormuz, pregão da última terça-feira (08) apresentou queda de 16%, após ter subido mais de 40% ao longo de março, influenciado pelo fechamento da passagem responsável por transportar 20% do petróleo mundial. Apesar dos resultados, Thiago de Aragão analisa que a reabertura de Ormuz não reconstruirá, de forma imediata, a estabilidade do mercado.

De acordo com o especialista em mercados globais, para garantir a estabilização da passagem, será necessário primeiro reconstruir a confiança operacional, garantindo segurança mínima para petroleiros, a partir de escoltas navais, seguros de guerra viáveis, bem como regras claras de inspeção. Além disso, seria necessário coordenar a liberação de reservas estratégicas para melhorar o choque de oferta “e calibrar a logística de desvio via oleodutos alternativos na Arábia Saudita e Emirados, que não conseguem substituir integralmente o fluxo de Ormuz”.

Investimentos

Ao responder sobre as perspectivas para os investimentos, Thiago de Aragão avalia que a tendência é de retomada das ações. Ainda assim, esse movimento deve vir acompanhado de uma gestão de risco mais preocupada diante das incertezas geopolíticas. “O que muda com o susto geopolítico é o beta. Investidores globais devem retomar o movimento, mas com gestão de risco mais rígida, exigindo prêmio maior para aumentar exposição a mercados próximos ao teatro do conflito e privilegiando emergentes com contas externas mais sólidas e instituições razoavelmente previsíveis”, completa o assessor.

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