O empresário Maurício Camisotti, detido desde setembro sob suspeita de liderar um esquema de desvios de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), confessou as fraudes em descontos previdenciários e assinou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF).
Esta é a primeira colaboração firmada no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga prejuízos bilionários a pensionistas por meio da inclusão indevida de descontos diretamente nas folhas de pagamento. As informações são do Estadão.
A investigação, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), mira o uso de associações de fachada para lavar o dinheiro e comprar bens de luxo para os envolvidos nos desvios.
A PF já colheu os depoimentos de Camisotti e encaminhou o termo ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o Estadão, o empresário detalhou o funcionamento das fraudes e citou a participação de dirigentes do INSS e de políticos.
O conteúdo das declarações permanece sob sigilo. A defesa de Camisotti aguarda a validação do acordo pelo STF para solicitar a conversão da prisão do empresário em regime domiciliar.
Outros investigados também negociam acordos de colaboração com a Polícia Federal, incluindo o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, e o ex-diretor de Benefícios do órgão, André Fidélis, ambos presos em novembro.
Camisotti

O empresário Maurício Camisotti é apontado pelos investigadores como um dos principais articuladores e beneficiários do esquema. Camisotti foi preso preventivamente em setembro de 2025, acusado de utsar suas empresas para lavar o dinheiro desviado das entidades que aplicavam os golpes nos segurados.
Recentemente, novos relatórios indicaram que o empresário tentou transferir R$ 59 milhões para criptomoedas logo após o início das operações, mas a transação foi bloqueada pelas instituições financeiras envolvidas na transação frustrada.
A Operação Sem Desconto estima um rombo de R$ 6,3 bilhões aos cofres públicos, somente entre os anos de 2019 e 2024. Segundo a investigação, junto a Camisotti estava Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e descrito como o operador financeiro e facilitador dentro do órgão público.
De acordo com a PF, Antunes usou sua influência para garantir que as associações fraudulentas mantivessem o acesso aos sistemas de desconto. Diversos servidores do INSS são investigados por venda de dados de beneficiários e por facilitar o cadastramento de entidades fantasmas.
O escândalo também mexeu na cúpula do órgão, começando pela demissão do então presidente, Alessandro Stefanutto, logo que as primeiras irregularidades ganharam corpo.

