O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), sobre como deve ser a eleição-tampão no Rio de Janeiro, serviu para os ministros da Corte externarem a decepção que sentem com a crise política vivida pelo estado.
A análise do caso começou na quarta-feira (8) e continuou nesta quinta-feira (9), mas foi suspenso por pedida de vista por Flávio Dino, um dos ministros mais vocais, juntamente com Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.
Gilmar, integrante mais antigo da atual composição do STF, alfinetou parte dos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) citar o caso de Marielle Franco como exemplo de como a política fluminense foi corrompida pelo crime organizado.
A ex-vereadora Marielle Franco foi assassinada em 2018, juntamente com seu motorista, Anderson Gomes, pela milícia no RJ. Como o crime foi político, autoridades federais tentarem federalizar o caso. Porém, a polícia e o Ministério Público do RJ conseguiram se manter à frente da investigação.
Anos depois, a Polícia Federal descobriu que policiais do RJ participaram ativamente no plano de assassinato de Marielle e nas tentativas de atrapalhar as investigações. Sobre esse fato, Gilmar lembrou que os ministros do STJ que vieram do RJ foram contra, para não destruir a imagem do governo fluminense.
Segundo Gilmar, o caso Marielle só foi esclarecido porque Flávio Dino, hoje ministro do STF, chefiava o Ministério da Justiça. Já Moraes destacou a prisão do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar, determinada pelo ministro porque o ex-deputado estadual é acusado de usar o cargo para ajudar o crime organizado no estado.
Flávio Dino listou a situação dos últimos ex-governadores do RJ, que foram presos ou afastados por impeachment após acusações de corrupção. Dino citou também a Operação Quinto de Ouro, que prendeu quase todos os conselheiros do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ) em 2017.

