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Economia

Ainda se usa cheque no Brasil, mesmo o manejo caindo em 18%

No mundo, o uso de cheques também segue em queda mas ainda é presente em diferentes níveis, dependendo do país

Ainda se usa cheque no Brasil, mesmo o manejo caindo em 18%

O uso de cheques ainda se mantém no Brasil e no cenário internacional, mesmo com a expansão dos meios digitais de pagamento e a consolidação do Pix. Levantamentos da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e da empresa Clearly Payments indicam que, embora em trajetória de queda, o instrumento continua movimentando cifras relevantes e segue presente em nichos específicos da economia.

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No Brasil, segundo dados da Febraban, foram contabilizados 112,5 milhões de cheques em 2025. O resultado confirma a continuidade do meio de pagamento, ainda que os números revelem recuo constante: a retração foi de 18,2% na comparação com 2024. Em relação a 1995, quando foram compensados 3,3 bilhões de cheques, a redução alcança 96,62%.

Conforme o levantamento baseado na Compe (Serviço de Compensação de Cheques), o volume financeiro movimentado por esse instrumento somou R$ 472,7 bilhões em 2025, registrando queda de 9,64% em relação ao ano anterior. A Febraban também destaca alteração no perfil de utilização: o valor médio do cheque avançou para R$ 4.199,77 em 2025, frente a R$ 3.800,67 em 2024, indicando maior concentração em operações de alto valor.

De acordo com Raphael Mielle, diretor de Serviços e Segurança da Febraban, “a redução contínua no uso do cheque reflete a consolidação dos meios digitais no cotidiano do brasileiro, especialmente com a expansão do Pix. Ao mesmo tempo, o aumento do tíquete médio indica que o cheque permanece em uso sobretudo em transações de maior valor e em situações específicas em que ainda cumpre papel relevante, como na utilização como caução em determinadas operações”.

Estatística | Febraban

Cenário internacional

No panorama global, a Clearly Payments aponta que, em 2026, o uso de cheques apresenta participação cada vez menor nas transações cotidianas, embora ainda registre volumes expressivos em alguns países. Nos Estados Unidos, foram aproximadamente 9,1 bilhões de cheques compensados em 2025, mantendo tendência de queda, apesar de relativa estabilidade no valor total movimentado.

No Canadá, os cheques são cerca de 2% do volume de pagamentos, mas concentram aproximadamente 24% do valor total das transações. Já nos Estados Unidos, representam entre 3% e 4% do volume e de 15% a 20% do valor, evidenciando uso mais concentrado em operações de maior montante.

O uso de cheques em pagamentos empresariais (B2B) recuou de 81% em 2004 para cerca de 26% em 2024. O levantamento também indica que 63% das organizações relataram casos de fraude envolvendo cheques em 2024, mantendo o instrumento entre os mais expostos a esse tipo de ocorrência.

Comparativo pelo mundo

  • Estados Unidos: cerca de 11,1 bilhões de cheques foram pagos em 2021, com aproximadamente US$ 27,4 trilhões movimentados
  • Canadá: cerca de 379 milhões de cheques em 2023, com movimentação de aproximadamente US$ 2,9 trilhões
  • Reino Unido: participação inferior a 1% do volume e abaixo de 5% do valor total
  • Países nórdicos: uso mínimo ou praticamente inexistente
  • Índia: cerca de 10% de participação em volume, com maior relevância no valor das transações
  • França: abaixo de 5% em volume e até 15% em valor
  • Japão: abaixo de 5% em volume e cerca de 10% em valor
  • Austrália: abaixo de 5% em volume e abaixo de 10% em valor
  • México e América Latina: variação conforme o mercado local

Redução do uso

Segundo a Clearly Payments, a retração dos cheques é associada a fatores como fraudes, custos operacionais, lentidão na compensação e avanço de soluções digitais. A empresa aponta que métodos eletrônicos reduzem entre 70% e 90% o esforço manual e oferecem maior agilidade na liquidação e na detecção de irregularidades.

Ainda de acordo com o levantamento, os cheques permanecem presentes em setores específicos, como transações entre empresas, construção civil, mercado imobiliário, reembolsos de saúde e seguros, operações governamentais, restituições, indenizações e situações envolvendo sistemas legados de consumidores.

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