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Economia

Mais do que “estar caro”, no Brasil “é caro” empreender, diz especialista

A abertura da empresa é só o “começo do problema”

Mais do que “estar caro”, no Brasil “é caro” empreender, diz especialista

Os custos de ter uma empresa no Brasil são altos e podem até mesmo comprometer a operação de muitas delas, especialmente as de pequeno porte.

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“Mais do que ‘estar caro’ – e sim, está caro e encareceu nos últimos anos -, podemos afirmar que no Brasil ‘é caro’ empreender”, afirma Bruno Perri, economista e sócio-fundador da Forum Investimentos, em entrevista ao O Brasilianista.

De acordo com o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, o Brasil encerrou 2025 com 24,2 milhões de empresas ativas, das quais 93,8% são micro e pequenas empresas. Delas, os Microempreendedores Individuais (MEIs) representam mais da metade, totalizando 12,6 milhões de registros.

O Mapa de Empresas referente ao segundo quadrimestre de 2025 mostrou que, entre maio e agosto do ano passado, foram abertas 1,67 milhão de novas empresas de pequeno porte, um crescimento de 14,1% em relação ao mesmo período de 2024.

Nesse cenário, é possível afirmar que cada vez mais as empresas estão se formalizando no país, indicando um fomento ao empreendedorismo e movimentação da economia. Ao mesmo tempo, os valores para sustentar esse negócio podem comprometer mais do que fomentar a estrutura de uma empresa.

Para o economista, a abertura da empresa é só o começo do problema. O processo burocrático para abertura de um CNPJ, com cartórios, taxas municipais, estaduais e federais, são apenas a ponta do iceberg de manter um negócio no país.

“Manter uma empresa operacional no Brasil hoje é algo bastante desafiador, de forma abrangente para pequenas a grandes empresas, mas com um peso desproporcionalmente maior para as primeiras. Segundo a OCDE, o Brasil é um dos campões mundiais, no mal sentido, quando o assunto são carga tributária, peso regulatório, e exigências que empacam a competitividade e a produtividade dos empresários do país”, comenta Perri.

Quais os custos de começar um negócio hoje?

Segundo o especialista, os valores vão depender bastante do porte, setor, entre outros fatores. Para o MEI, começar é mais fácil e os custos são menores.

Mas ele lembra de considerar registro, cartório, alvará, licenças, taxas e impostos, além de custos operacionais como aluguéis, contador, entre outros.

Segundo a Contabilizei, o custo para abrir um CNPJ no Brasil em 2026 geralmente fica entre R$500 e R$3.000, a depender do tipo de empresa, região e serviços contratados. Já os MEIs podem fazer essa abertura gratuitamente.

Abertura de outros tipos de empresa, como ME (Microempresa), EPP (Empresa de Pequeno Porte), SLU (Sociedade Limitada Unipessoal) ou EI (Empresário Individual), é interessante considerar custos como:

  • Taxa de registro na Junta Comercial: varia de acordo com o estado, mas pode custar entre R$100 e R$1.000;
  • Certificado digital: para a assinatura de documentos digitais, custa entre R$200 e R$400;
  • Taxas (impostos) municipais e estaduais: licenciamento e alvarás de funcionamento, que variam de acordo com a prefeitura e o tipo de atividade;
  • Serviço de contabilidade: com exceção do MEI, contratar serviço de contabilidade é obrigatório para manter uma empresa, que pode variar de R$200 até R$2.000 por mês, dependendo dos serviços contratados;
  • Capital Social: investimento inicial de uma empresa, recomendado ter um valor mínimo para registrar o contrato social e emitir o CNPJ. Em geral, um piso interessante é de R$ 1.000 para ser considerada uma empresa real.

Empreender no Brasil é mais difícil do que em outros países

“Sobretudo em relação ao primeiro mundo, sobre o qual há mais informações disponíveis, o Brasil é considerado um país de ambiente bastante desafiador para o empreendedorismo, seja na abertura mas, principalmente, na gestão e manutenção de um negócio”, alega Bruno Perri.

Ele justifica esse fato em relação à alguns fatores, como:

  • Carga tributária elevada
  • Infraestrutura pobre
  • Legislação tributária complexa
  • elevada burocracia regulatória
  • Taxa de juros proibitiva

Vale lembrar que 2025 marcou o ano em que a Selic, taxa básica de juros da economia, atingiu seu maior patamar, de 15% ao ano. O cenário prejudica o giro de caixa das empresas, visto que o brasileiro está com o bolso mais apertado.

Há facilidades governamentais para quem está começando?

Para pequenos empreendedores, há alguns tratamentos tributários diferenciados como Simples Nacional, carga tributária reduzida para MEIs, regimes de tributação como lucro real/lucro presumido e não tributação de dividendos.

Já para empresas maiores, o governo garante algumas linhas de crédito subsidiadas através de bancos de fomento e desenvolvimento, como o BNDEs.

No entanto, o economista avalia que essas não são benefícios que consequentemente fomentariam o empreendedorismo no Brasil.

“Setores específicos também podem possuir benefícios tributários, que, de forma agregada, impactam as contas públicas negativamente e são outro problema de política econômica”, alerta Perri.

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