Brasil e China vem ganhando cada vez mais proximidade. Como mostrado pelo O Brasilianista, o país asiático é o principal parceiro comercial do Brasil e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a região é a mais disposta a cooperar por aqui.
Nesse cenário, volta a ganhar força a ideia de que o Brasil possa voltar a ser alvo dos Estados Unidos em diferentes ligas.
Em Washington, mesmo estando em um contexto que se trata da busca por diferentes parcerias fora do país, essa afirmação pode passar por uma interpretação ligada não só a economia, mas também por um sinal de natureza política.
A relação estreita com a China pode afetar o Brasil?
Não é de hoje que EUA e China se enfrentam em qual economia é a mais poderosa do mundo. Recentemente, o governo de Donald Trump aplicou diversos bloqueios comerciais a parceiros que comercializassem com outros países considerados “inimigos” americanos.
Dessa forma, o estreitamento da relação entre China e Brasil — que, em geral, sempre foi interessante — pode afetar algumas questões nacionais. Vale lembrar que o país já foi alvo de diversas investigações e sanções do governo Trump. Recentemente, os EUA definiu um agente especial para lidar com assuntos envolvendo o Brasil.
Nesse cenário, a consequência da fala de Lula em relação ao campo institucional e judicial, é um risco de aumentos nas declarações públicas ou relatórios sobre o Poder Judiciário do país e do funcionamento do sistema eleitoral.
Na segurança, a expansão dos terroristas, pautados num conceito de organizações passíveis de classificação, tem a chance de alcançar redes ligadas ao crime organizado transnacional. Isso pode gerar repercussões para o Brasil, mesmo que de formas indiretas, sendo identificadas conexões de caráter financeiro ou logístico.
O caso da imigração também pode sofrer enorme pressão no caso do Departamento de Estado dos EUA (DoS), podendo fazer vista grossa e ampliando o cancelamento e uso seletivo de vistos dos empresários e autoridades brasileiras.
No que diz respeito a questões financeiras e tributárias, a chance de fiscalizações mais rigorosas sobre transações de cidadãos e empresas brasileiras que atuam internacionalmente tende a aumentar. Isso se trata mais de um efeito secundário a partir de uma política que abrange o monitoramento dos fluxos financeiros de todo o mundo.
Quando se é falado de uma disputa estratégica envolvendo países que são considerados grandes potências, qualquer aproximação é vista como uma mudança de posicionamento. Diante disso, os Estados Unidos podem responder de forma indireta, espalhando-se por diferentes áreas.
Brasil em situação instável
Conforme mostrado pelo O Brasilianista, em um contexto onde a rivalidade das grandes potências vem crescem cada vez mais, aumentam também as consequências políticas diante de decisões econômicas. Dessa forma, o Brasil retorna para uma posição de equilíbrio instável entre a vulnerabilidade e a autonomia.
A declaração do presidente Lula ganha uma ainda mais relevância quando se é demonstrado uma afinidade ou preferência por um parceiro estratégico.
E a resposta dos Estados Unidos vai para um lado mais focado na ampliação da pressão velada, do controle e de mecanismos de monitoramento.

