O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta sexta-feira (10) uma parceria entre a Cooperação Mútua entre a Receita Federal do Brasil (RFB) e o U.S. Customs and Border Protection (CBP), agência de fronteiras dos Estados Unidos, para o combate ao crime organizado transnacional.
De acordo com a pasta, a iniciativa chamada de Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), visa integrar esforços de inteligência e operações conjuntas para interceptar remessas ilícitas de armamentos e tráfico de drogas.
“O que nós estamos fazendo é demonstrando e fazendo as medidas executivas e concretas que nos permitem manter tanto o Brasil quanto os Estados Unidos mais seguros e com inteligência e combate ao crime organizado”, afirmou Durigan, segundo o Broadcast.
“Se a prevenção não der conta de impedir que armas, drogas, equipamentos cheguem ao Brasil vindos dos Estados Unidos dentro do desarma, que é um programa da Receita Federal, parceria com a Polícia Federal, vai haver uma notificação de volta do Brasil para as autoridades norte-americanas”, disse o ministro da Fazenda.
Ele ainda reforçou que é preciso que todo o governo brasileiro, e não apenas a Polícia Federal e a Receita Federal, esteja “bem preparado” para agir contra o crime organizado. Vale destacar que essa é uma pauta relevante para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com maior foco em ano eleitoral.
O ministério afirma que a construção da agenda conjunta teve início em janeiro de 2026, consolidando o alinhamento entre os dois países, com foco especial no fortalecimento da atuação em rotas sensíveis, como a região da Tríplice Fronteira.
O que prevê o projeto de cooperação entre Brasil e EUA?
O acordo prevê o compartilhamento em tempo real de informações sobre organizações criminosas entre os países. Nesse segmento, deve ser lançado o Programa DESARMA, sistema informatizado da Receita Federal que amplia a capacidade de rastreamento internacional de armas e materiais sensíveis.
O DESARMA garante o compartilhamento estruturado, em tempo real, de informações sempre que a aduana brasileira identificar produtos de origem americana relacionados a armas, munições, peças, componentes, explosivos e outros itens sensíveis e vice-versa.
Além disso, o sistema permite o envio de alertas às autoridades aduaneiras dos países de origem ou procedência das mercadorias apreendidas. Ele poderá ser utilizado em apreensões em portos e aeroportos, bem como em remessas internacionais, operações especiais de fiscalização e ações integradas com outros órgãos de investigação.
Nos últimos 12 meses, foram identificadas 35 ocorrências, com apreensão de 1.168 partes e peças (cerca de 550 kg), enviadas principalmente da Flórida (EUA) com uso de declarações falsas e métodos de ocultação.
Outros dados do Aeroporto Internacional de Guarulhos, indicados pelo ministério, evidenciam aumento nas apreensões de drogas e substâncias ilícitas, passando de 89 kg em 2024 para 1.562 kg nos três primeiros meses de 2026, além de mudança no perfil do tráfico, com maior uso de cargas, baixa sofisticação na ocultação e diversificação dos aeroportos de origem.

