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Geopolítica

Inflação dos EUA dispara em março com efeitos da guerra

O preço da gasolina foi um dos principais responsáveis pelo resultado

Inflação dos EUA dispara em março com efeitos da guerra

O Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos divulgou nesta sexta-feira (10) o relatório do Índice de Preços ao Consumidor de março, que mostra os valores da inflação do período. O resultado indica que a inflação subiu para 3,3% no mês anterior, quase um ponto percentual acima na comparação com fevereiro — e acima do nível registrado quando Donald Trump assumiu o cargo da presidência.

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De acordo com a CNN, o aumento foi impulsionado pelo avanço significativo nos preços da gasolina para os americanos, impulsionado pela guerra contra o Irã.

Esse crescimento da inflação dos EUA marca o ritmo anual mais rápido do aumento dos preços em quase dois anos.

Os preços subiram 0,9% em relação a fevereiro, o triplo do ritmo de 0,3% observado no mês passado, quando a inflação foi de 2,4%.

Ao mesmo tempo, os preços da gasolina subiram um recorde de 21,2% durante março, representando quase três quartos do aumento mensal total. Ainda assim, o resultado ficou um pouco abaixo da expectativa dos economistas, previam crescimento para 3,4% na inflação no período. Para o futuro, a projeção é de que a situação piore muito antes de haver alívio, mesmo com um possível final da guerra.

O conflito dos EUA e Israel contra o Irã tirou o controle da inflação americana, enquanto intensificou as dúvidas sobre acessibilidade financeira dos residentes. Isso porque os salários dos americanos, por exemplo, voltaram a cair.

Por que os preços da gasolina aumentaram para os EUA?

A guerra ocasionou no fechamento do Estreito de Ormuz, principal canal de transporte de combustíveis para boa parte dos países do hemisfério norte, como os EUA. A região é dominada pelo governo iraniano e uma maneira de fechar a região seria através da instalação de minas marítimas, uso de embarcações rápidas armadas, submarinos e mísseis costeiros, de acordo com a Politize!.

Isso impacta todo o comércio marítimo, além da economia mundial. Funciona assim: com a principal via de petróleo e gás natural fechada, a demanda por esses combustíveis seguiria aumentando, o que consequentemente aumenta o preço das commodities.

Além do risco do produto não chegar ao destino final, os valores pagos por petróleo seriam mais altos do que normalmente, visto que a produção de distribuição estariam comprometidas.

O custo da guerra para os EUA

Os Estados Unidos estavam injetando cerca de meio bilhão de dólares por dia na guerra contra o Irã. As informações são do The Guardian com base em analistas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).

Uma semana após as forças americanas e israelenses iniciarem seu ataque ao Irã, funcionários do Pentágono informaram a parlamentares, em uma reunião fechada, que o custo da guerra já havia ultrapassado US$ 11,3 bilhões apenas nos primeiros seis dias.

Ainda, o Estreito de Ormuz o principal canal de petróleo do mundo estava praticamente fechado, o que traz problemas logísticos e energéticos globalmente.

Fontes ouvidas pelo The Guardian ainda afirmaram que os gastos não recaem apenas à munições, mas também forças mobilizadas para a região, despesas médicas e a substituição de aeronaves militares perdidas em combate.

No sexto dia de conflito, o CSIS estimou o custo acumulado em US$ 12,7 bilhões. Depois de quase vinte dias, é provável que já tenha ultrapassado US$ 18 bilhões.

Vale destacar que as primeiras horas da guerra foram dominadas por algumas das armas mais caras do arsenal americano, utilizando mísseis de longo alcance, interceptores de mísseis balísticos e sistemas de radar.

Custos políticos para Trump

guerra iniciada em fevereiro pelos Estados Unidos contra o Irã pode impor diversos e graves custos políticos ao presidente Donald Trump, segundo analistas entrevistados pelo g1.

O tempo de conflito ainda está indeterminado, à medida em que as forças iranianas resistem. Ao mesmo tempo, os preços do petróleo disparam e já alcançam a casa dos US$ 100 por barril.

Para Trump, o cenário é delicado: ele busca maneiras de arrefecer a alta do petróleo enquanto acalma os eleitores americanos que devem escolher novos parlamentares em novembro. A expectativa é de que o preço da gasolina suba e a guerra permaneça entre os americanos.

No entanto, o humor dos eleitores está se deteriorando, de acordo com Denilde Holzhacker, professora de relações internacionais da ESPM, em entrevista ao g1. Para ela, Trump tenta transmitir a mensagem de que a guerra vai acabar, que o Estreito de Ormuz será controlado, mas não há qualquer fundamento para essa afirmação.

Estreito de Ormuz é o único canal que liga a passagem de petróleo do Golfo ao Oceano Índico. Isso significa que os navios petroleiros que circulam na região transportam diariamente cerca de 30% do consumo total da commodity.

Desde o início dos conflitos, em fevereiro, o Irã bloqueia a passagem, o que afeta diretamente a demanda e o preço do petróleo.

Os EUA terão, em novembro, eleições de meio de mandato, em que os estadunidenses devem escolher novos governadores, 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado. O momento é decisivo para entender se Trump terá o apoio necessário nas duas Casas Legislativas, visto que atualmente os republicanos — partido de Trump — dominam as casas.

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