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Política

Brasil pode mudar de posição na geopolítica caso Lula seja reeleito?

Há expectativa mais consistente de aprofundamento de estratégia no reposicionamento internacional do país

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Em sua atual gestão política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta como um dos principais focos governamentais a busca por protagonismo internacional, com o multilateralismo presente em diversos discursos ao redor do mundo. Com as eleições do país no horizonte, cresce o debate sobre os rumos na política externa caso o petista seja reeleito ao Palácio do Planalto em 2027, especialmente quanto à ampliação de sua influência em temas globais. Especialistas avaliam que esse movimento deve continuar com a reeleição, mas com a tentativa de aprofundar a projeção internacional.

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Em um levantamento rápido sobre eventos internacionais dos quais o petista esteve presente no último ano, é possível observar a sua busca por posicionar o Brasil como um país defensor da cooperação internacional. Em debate na Academia Francesa, Lula disse que nenhum desafio global seria superado se prevalecer a ideia de que podem ser enfrentados sozinhos. Durante discurso do Brics, com países do Sul Global, o chefe do Executivo defendeu alianças ao afirmar que “o multilateralismo é o único caminho que devemos trilhar”.

Projeção internacional

De acordo com a doutora em Direito Internacional e professora da Processus, Francielle Vieira Oliveira, a expectativa mais consistente é a de um aprofundamento de estratégia no reposicionamento do país, fator já observado na atual gestão. A especialista entende que o governo Lula tende a continuar com ações de reforço de fóruns como BRICS, G20 e ONU, na tentativa de converter agendas como clima, desenvolvimento, segurança alimentar e transição energética em instrumentos de projeção internacional do país.

A busca por ocupar espaços normativos em temas como clima, energia, combate à fome e cooperação sul-americana surge diante da limitação do país exercer sozinho, poder material suficiente para redefinir a arquitetura internacional, mesmo que disponha de capacidade diplomática relevante. De acordo com Oliveira, as ações do último ano do governo apontam que ele tende menos a uma política de alinhamento e mais a uma estratégia de autonomia ativa, a exemplo da centralidade atribuída à agenda climática, reforçada pela projeção de Belém com a COP30 como vitrines diplomáticas.

“É preciso evitar uma leitura automática. Protagonismo não se confunde com mera presença institucional nem com retórica ambiciosa. Ele depende de capacidade continuada de articulação, clareza de prioridades, consistência entre discurso e prática e disposição para converter participação formal em influência efetiva. Em outras palavras, o Brasil pode, sim, voltar a ocupar posição de maior destaque nesses fóruns, mas a densidade desse protagonismo dependerá menos da vontade declarada de ‘retomar espaço’ e mais da capacidade concreta de construir coalizões, sustentar agendas e produzir convergência diplomática em torno de temas nos quais disponha de legitimidade e iniciativa”, afirma Francielle Vieira Oliveira.

Brasil pode ser mais ativo em conflitos internacionais?

Em meio ao cenário de instabilidade internacional, surgem dúvidas se por possuir características diplomáticas importantes pode conquistar espaço a partir de mediações em conflitos. Na visão da especialista em direito internacional, existe essa possibilidade do Brasil ser um mediador, porém essa possibilidade deve ser vista com realismo diante da atual posição do país, em que se apresenta com tradição de solução pacífica.

“A ausência de envolvimento direto em disputas geopolíticas centrais e uma imagem relativamente associada à moderação e ao diálogo. Esses elementos contribuem para a construção de uma legitimidade diplomática difusa, que pode ser aproveitada em determinados contextos”, pontua.

No entanto, o país pode enfrentar barreiras complexas para se envolver em conflitos internacionais como mediador. Na prática, a efetividade de qualquer iniciativa de mediação depende da capacidade de influência concreta sobre as partes envolvidas, do acesso político e da confiança recíproca entre os atores. Além disso, o poder econômico é um dos principais elementos necessários para sustentar esse tipo de atuação e ampliar a credibilidade internacional.

“Assim, o papel mais plausível para o Brasil não é o de mediador central em disputas estruturais do sistema internacional, mas o de facilitador, articulador de iniciativas multilaterais ou promotor de espaços de diálogo, especialmente em temas ou regiões onde possa agregar legitimidade política e densidade diplomática”, completa Francielle Oliveira.

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