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Economia

Empresas têm recorde de recuperações judiciais com juros altos

Organizações enfrentam pressão no caixa, aumento de dívidas e piora nas condições financeiras

Empresas têm recorde de recuperações judiciais com juros altos

A Selic é o maior vilão das empresas que hoje estão em recuperação judicial. Cada vez mais as empresas ficam endividadas e o reequilíbrio contábil das companhias é severamente afetado com a escassez de crédito e do comprometimento da liquidez operacional. A situação movimentou um salto recorde nos requerimentos de recuperação judicial ao longo de 2025.

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Dados do Serasa Experian, veiculados pela CNN, apontaram que cerca de 2.466 companhias recorreram à reestruturação financeira em 2025, um verdadeiro declínio da saúde financeira no mercado empresarial.

A culpa disso é da taxa básica de juros. Na maior parte de 2025 a Selic ficou em 15% anuais e atingiu o maior patamar das últimas duas décadas. Esse encarecimento dos empréstimos prejudicou especialmente os negócios que cresceram sob taxas reduzidas e que agora encontram obstáculos para quitar seus débitos.

Até julho de 2025, o número de empresas inadimplentes somava 8 milhões, com uma média de 200 mil novos CNPJs negativados a cada mês.

Endividamento em alta

Ainda, o endividamento de 248 companhias listadas em bolsa superou R$ 1,4 trilhão em 2020 e alcançou R$ 2,3 trilhões em 2025. Excluindo a Petrobras, o montante soma R$ 1,9 trilhão, o que evidencia um avanço relevante ao longo de cinco anos.

Além do impacto dos juros elevados, a restrição ao crédito também agrava a situação, sobretudo para empresas de menor porte. Essas organizações dependem majoritariamente de financiamento bancário tradicional, geralmente mais oneroso e com prazos mais curtos.

Sem opções como a emissão de dívida privada ou acesso ao mercado de capitais, essas empresas encontram barreiras adicionais. Nisso, a recuperação judicial muitas vezes deixa de ser uma alternativa viável.

Segundo O Brasilianista, quando uma empresa entra em crise e perde a capacidade de honrar compromissos com fornecedores, bancos e demais credores, há um instrumento legal que permite tentar evitar o encerramento das atividades.

Previsto na legislação brasileira, o mecanismo tem como objetivo dar fôlego financeiro às empresas em dificuldade e viabilizar a reorganização de suas dívidas e operações.

Caso o plano de recuperação seja cumprido com sucesso, a companhia pode retomar a sua sustentabilidade. Do contrário, a Justiça pode decretar a falência e determinar o fim das atividades.

Setores mais afetados

O segmento agropecuário concentrou a maior parte dos pedidos de recuperação judicial em 2025, com 743 empresas, o equivalente a 30,1% do total, conforme dados da Serasa Experian. Esse volume representa um aumento de 3,8 pontos percentuais em relação a 2024.

Os setores de varejo e serviços também figuram entre os mais impactados, refletindo tanto o alto custo do crédito quanto a diminuição do poder de compra da população.

Apesar do início do ciclo de redução da Selic, os efeitos positivos sobre as empresas tendem a demorar a aparecer. A transmissão da política monetária para a economia real costuma ocorrer com defasagem de seis a nove meses, indicando que o quadro de pressão financeira ainda deve persistir no curto prazo.

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