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Justiça

STJ invalida relatório produzido por IA usado como prova

Corte analisou dados gerados por Inteligência Artificial que divergiram da perícia feita pelo Instituto de Criminalística

STJ invalida relatório produzido por IA usado como prova

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidu que relatórios produzidos por ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa não servem como prova em ações penais.

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O caso envolveu uma acusação de injúria racial baseada em um relatório gerado por IA a partir de imagens de vídeo, cujo resultado divergia da perícia oficial realizada pelo Instituto de Criminalística.

A decisão foi tomada no julgamento de um habeas corpus relatado pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, que destacou que ferramentas de IA generativa processam textos e não sons, o que as torna inadequadas para análises fonéticas em áudios.

O colegiado do STJ entendeu que documentos desta natureza carecem de validação técnico-científica e de racionalidade humana, não apresentando a confiabilidade necessária para sustentar uma acusação.

Com a decisão, o documento foi excluído dos autos e o processo retornou ao juízo de origem para nova análise da denúncia sem a utilização do material produzido pela inteligência artificial.

A decisão foi divulgada em 8 de abril.

IA no Direito

O Brasilianistamostrou que a inteligência artificial está afetando profundamente o Direito. Segundo Luís Roberto Barroso, ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), haverá dilemas no Direito Constitucional sobre liberdade de expressão e moderação de conteúdo por plataformas digitais, além de riscos à privacidade e à autonomia individual.

Barroso afirmou que o Direito Tributário, com seu sistema tradicionalmente focado em fábricas e fronteiras físicas, sofre para cobrar impostos das Big Techs, que operam sem presença física ou funcionários em muitas jurisdições.

No Direito Penal, disse o ministro aposentado, a IA auxilia novos tipos de crimes, como o sequestro de sistemas e a criação de vídeos falsos para destruir reputações. Quanto à propriedade intelectual, Barroso citou o debate sobre a remuneração dos criadores dos conteúdos usados para treinar as IAs.

O advogado José María Pérez Broncano detalhou que a IA também muda o trabalho da advocacia, que passa a ser contabilizado com base na compreensão estratégica das necessidades do cliente, afetando a gestão do trabalho, devido à necessidade de fontes de dados confiáveis para automatizar tarefas.