A Americanas passou a apostar no modelo “store in store” para rentabilizar suas lojas após a crise iniciada em 2023, transformando espaços ociosos em áreas ocupadas por marcas parceiras.
A estratégia, chamada de “Projeto Galeria”, busca aumentar a receita por metro quadrado e modernizar o sortimento de produtos, segundo a Bloomberg.
Como funciona o modelo no varejo?
O conceito de “store in store” consiste na instalação de uma loja dentro de outra já existente, permitindo que marcas diferentes ocupem um mesmo espaço físico com operações próprias, conforme definição da Associação Comercial e Industrial de Rio Claro (ACIRC).
O varejista anfitrião cede parte de sua área para outra empresa, que passa a vender seus produtos ali, muitas vezes com identidade visual e organização próprias.
Esse formato pode assumir diferentes formas, como quiosques, corners ou até pequenas lojas completas dentro de um estabelecimento maior, mantendo certa autonomia em relação à operação principal.
Estrutura e dinâmica entre as marcas
No modelo, duas empresas atuam em parceria, a dona do espaço físico e a marca convidada. A primeira oferece infraestrutura e fluxo de clientes, enquanto a segunda utiliza esse ambiente para expor e vender seus produtos, segundo a GD Design.
A operação envolve acordos sobre uso do espaço, divisão de receitas e responsabilidades operacionais, como estoque e atendimento.
Esse tipo de integração permite que a marca “hóspede” funcione de forma relativamente independente, mesmo estando dentro da loja principal.
Vantagens para empresas e consumidores
Uma das principais vantagens do modelo é a redução de custos para a marca parceira, que não precisa investir na abertura de uma loja própria.
Ao mesmo tempo, ela passa a ter acesso ao público já consolidado do varejista anfitrião, como explicou a Exame.
Para quem cede o espaço, o benefício está na geração de receita adicional e na ampliação do mix de produtos, o que pode atrair mais consumidores.
Já para o cliente, o modelo reúne diferentes marcas em um único ambiente, facilitando a jornada de compra e oferecendo maior variedade de produtos no mesmo local.
Aplicação prática no caso da Americanas
No caso da Americanas, a estratégia envolve transformar suas lojas em hubs para outras marcas, aproveitando o fluxo de consumidores já existente nas unidades.
A primeira parceria de destaque foi com a marca de cosméticos WePink, que passou a ocupar áreas antes destinadas a outros produtos dentro das lojas.
Outras empresas, como Panini e Agibank, também fazem parte do plano, mostrando que o modelo pode ser aplicado a diferentes segmentos dentro do mesmo espaço físico.
Como o modelo gera receita?
O retorno financeiro no “store in store” pode ocorrer de diferentes formas. A Americanas, por exemplo, pode cobrar um valor fixo pelo uso do espaço ou estabelecer contratos com participação nas vendas realizadas pela marca parceira.
Esse tipo de acordo permite que o varejista monetize áreas que antes estavam subutilizadas, ao mesmo tempo em que amplia sua oferta de produtos.
A estratégia também está ligada ao aumento da receita por metro quadrado, indicador importante no setor de varejo físico.
Limitações na implementação
Apesar das vantagens, o modelo exige cuidados na escolha das marcas parceiras. Um dos principais pontos é evitar concorrência direta entre os produtos oferecidos dentro da mesma loja.
Outro desafio envolve a experiência do consumidor, que tende a perceber todo o ambiente como uma única loja, independentemente da divisão entre marcas.
Também existem questões contratuais, especialmente em shopping centers, onde a sublocação de espaços pode depender de autorização das administradoras.
Por que a Americanas adotou o modelo?
Após a descoberta de uma fraude bilionária, a Americanas entrou em recuperação judicial e iniciou um processo de reestruturação.
Com o fechamento de cerca de 300 lojas e a redução da rede, a empresa passou a adotar estratégias para aumentar a eficiência e a rentabilidade das unidades restantes.

