Para o Banco Central (BC), o superendividamento é um problema crescente no Brasil, afetando milhões de pessoas. De acordo com o relatório de Cidadania Financeira de 2025, as dívidas com cartão de crédito e o aumento dos juros são as principais causas desse aumento.
“A facilidade de acesso ao crédito, sem uma oferta responsável e adequada ao perfil do cliente por parte das instituições, sem uma devida proteção ao consumidor e, não menos importante, sem a devida educação financeira, leva muitos brasileiros a contraírem dívidas que não conseguem pagar. O cartão de crédito é frequentemente apontado como um dos principais vilões do superendividamento devido às altas taxas de juros e à facilidade de uso, que muitas vezes leva ao consumo desenfreado”, afirma a autarquia.
Além do restringimento financeiro, o impacto psicológico das dívidas na vida das pessoas é “profundo e abrangente”. O BC cita que há estudos evidenciando o a associação direta entre o endividamento excessivo a altos níveis de estresse, ansiedade e depressão.
“A preocupação constante com as contas a pagar e a sensação de impotência diante das dívidas podem levar a problemas de sono, baixa autoestima e até mesmo a conflitos familiares. Esses efeitos negativos, além de afetar o bemestar das pessoas, podem afetar seu desempenho profissional e suas relações sociais”, explica o BC.
Um estudo elaborado pela instituição concluiu que, em dezembro de 2024, existiam 15,8 milhões de endividados de risco no país, representando 13,8% dos tomadores de crédito, em um universo analisado de 114,6 milhões de pessoas.
O perfil dos endividados de risco pouco se alterou ao longo do tempo. As regiões Nordeste e Norte são as que possuem maior proporção de endividados de risco. São 15,4% das mulheres tomadoras de crédito nessa situação, frente a 12,1% de homens. O endividamento de risco é percentualmente maior com o aumento da idade e diminuição da renda. Dos 15,8 milhões de endividados de risco, 11,6 milhões possuem renda de até dois salários mínimos, ou seja, 73% dos endividados de risco estão na baixa renda.
Inadimplência no Brasil bate recorde em fevereiro
Conforme mostrou O Brasilianista, o Brasil tinha cerca de 81,7 milhões de endividados em fevereiro deste ano, o maior número de inadimplentes de toda a série histórica do Mapa da Inadimplência da Serasa, e que representa 49,87% da população total. Os brasileiros veem aumento nas dívidas nos últimos 14 meses de acordo com o levantamento.
São aproximadamente R$ 539 bilhões em débitos entre todos os casos registrados, uma média de R$ 6.598,13 por pessoa. Já o valor médio de cada dívida é de R$ 1.623,40.
Os brasileiros com idades entre 41 e 60 anos representam a maior fatia da população com nome sujo, aproximadamente 35,6% de todos os inadimplentes. Em seguida, os cidadãos entre 26 a 40 anos (33,5%), acima de 60 anos (19,8%) e os jovens entre 18 e 25 anos (11,1%) aparecem na ordem dos mais endividados.
Em comparação com o mesmo mês do ano passado, o número de inadimplentes subiu 8,93% entre fevereiro de 2025 e 2026. Já em relação a janeiro, o volume de brasileiros com dívidas subiu em 0,49%.
Cerca de 27% dos casos de inadimplência foram causados por falta de pagamento de contas bancárias e até mesmo no uso além do limite do cartão de crédito. Contas básicas aparecem logo em seguida, enquanto riscos de financeiras e serviços também impactaram o bolso do brasileiro.
Estados da região Norte e Centro-Oeste do Brasil lideram o ranking dos locais com maiores níveis de brasileiros em dívida.
Bets superam juros nos motivos das dívidas
As apostas online, também conhecidas como bets, se tornaram a principal causa das dívidas dos brasileiros, de acordo com um novo estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) e da FIA Business School.
O levantamento calculou os impactos de quatro condições no bolso dos brasileiros: o peso do crédito sobre a renda, o patamar dos juros, o tempo das dívidas e as bets. O resultado indicou que as apostas atingiram 0,2255 dos motivos para a inadimplência, superando o impacto do crédito sobre a renda (0,0440), dos juros ao consumidor (0,0709) e do tempo de dívida (-0,0017).
Os impactos de crédito e de juros — em geral, os fatores que mais causam o endividamento no país — somados são menores que o das bets.

