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Geopolítica

Pode acontecer um novo 11 de setembro? Especialista explica onde estão os riscos reais

Ameaças atuais são mais descentralizadas e incluem ações indiretas

Pode acontecer um novo 11 de setembro? Especialista explica onde estão os riscos reais

Mais de duas décadas após os atentados de 2001, que redefiniram a segurança global, especialista avalia que o risco de um ataque de grande escala nos moldes das Torres Gêmeas diminuiu, mas não desapareceu.

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A ameaça, segundo análise atual, se transformou. Em vez de grandes operações coordenadas, o foco passou a ser ações descentralizadas, muitas vezes indiretas, envolvendo grupos aliados, ataques cibernéticos e alvos simbólicos como grandes eventos internacionais.

A avaliação é do internacionalista Rafael Moredo, que analisa o novo cenário geopolítico em meio às tensões envolvendo o Irã e o Estados Unidos.

Mudança estrutural nas ameaças globais

Os atentados de 11 de setembro de 2001 deixaram quase três mil mortos e levaram os Estados Unidos a iniciarem a chamada “guerra ao terror”, com impactos duradouros na segurança global e nas relações internacionais.

Para Rafael Moredo, coordenador de Políticas Públicas do Livres, o cenário atual dificulta a repetição de uma operação semelhante.

“Existe risco, mas não da mesma forma de 2001. O mundo de hoje tem sistemas de inteligência e segurança muito mais sofisticados, especialmente na aviação civil”, afirma.

Ele destaca que a complexidade logística necessária para executar um atentado daquele porte se tornou um obstáculo relevante.

“Um grande ataque coordenado como o 11 de Setembro exigiria uma capacidade logística que organizações centralizadas como a Al-Qaeda de outrora já não possuem com a mesma facilidade”, explica.

De acordo com especialistas em segurança global, a cooperação internacional e o compartilhamento de informações aumentaram significativamente desde então, criando camadas adicionais de prevenção.

Radicalização individual ganha protagonismo

Se por um lado grandes estruturas perderam força, por outro, o perfil dos envolvidos em ataques mudou. Houve redução de ações organizadas, mas aumento de episódios envolvendo indivíduos isolados.

Moredo chama atenção para essa transformação ao analisar o comportamento das ameaças atuais. “As ameaças estão predominantemente descentralizadas”, alerta.

Ele detalha que o fenômeno envolve perfis específicos. “Hoje predominam os ‘lobos solitários’ radicalizados online, jovens vulneráveis e redes informais inspiradas por propaganda digital”, diz.

Esse tipo de atuação, é mais difícil de antecipar, já que não depende de estruturas tradicionais nem de cadeias de comando claras.

Influência de Estados amplia complexidade

Além da atuação individual, o cenário atual também inclui a participação indireta de países em conflitos. O uso de grupos aliados se tornou uma estratégia recorrente em disputas internacionais.

Moredo aponta que essa dinâmica está presente no Oriente Médio. “Persistem ameaças patrocinadas por Estados, especialmente o Irã, que financia grupos como Hezbollah, Houthis e milícias xiitas”, afirma.

Essa estratégia se consolidou ao longo das últimas décadas, especialmente após a Revolução Islâmica de 1979, ampliando a influência iraniana por meio de atores regionais.

Esse modelo permite que países exerçam pressão sem se envolver diretamente em confrontos abertos, o que reduz riscos imediatos de escalada militar.

Ataque direto aos EUA é considerado improvável

Apesar das tensões frequentes entre Irã e Estados Unidos, especialistas descartam, no momento, a possibilidade de um confronto direto em larga escala.

Moredo avalia que o custo de uma ação desse tipo seria elevado demais. “O Irã sabe que um ataque aberto desencadearia uma resposta desproporcional”, sugere.

Ele ressalta que o risco mais concreto envolve outros tipos de ações. “O que é concreto é o risco de retaliação assimétrica, com ações contra interesses americanos no exterior”, expõe. Esse padrão tem sido adotado para evitar confrontos diretos, mantendo o conflito em níveis controlados.

Copa do Mundo entra no radar de segurança

Grandes eventos internacionais também aparecem como pontos de atenção no cenário atual. A concentração de público e a visibilidade global aumentam o interesse de grupos extremistas.

Moredo destaca que a Copa do Mundo de 2026 reúne características que exigem atenção especial. “É um alvo de alta atratividade simbólica e operacional”, enfatiza.

Ele explica que o desafio está no equilíbrio entre proteção e funcionamento normal do evento. “Eventos de grande porte são ‘soft targets’: difíceis de proteger integralmente sem transformar estádios em fortalezas”, destaca.

A organização desses eventos depende de integração entre países, inteligência compartilhada e planejamento preventivo.

Resposta internacional depende de cooperação

Diante desse cenário, a resposta mais eficaz não está apenas em ações militares, mas em estratégias coordenadas entre países.

Moredo defende que o caminho passa por medidas mais amplas. “A melhor defesa é a inteligência compartilhada entre países democráticos, sem abrir mão das liberdades civis”, afirma.

Ele também aponta a importância de evitar escaladas desnecessárias. “A diplomacia dura, sanções inteligentes e dissuasão credível são mais eficazes do que escaladas militares que alimentam o ciclo de violência”, avalia.

O desafio atual é lidar com ameaças mais difusas sem comprometer valores fundamentais das sociedades democráticas.

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