O Irã e a China parecem estar mais preparados para um bloqueio do Estreito de Ormuz liderado pelos Estados Unidos do que o esperado.
Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (13) que começaram a bloquear a entrada e a saída de navios dos portos iranianos no estreito. Como mostrou O Brasilianista, o acordo de cessar-fogo inicial — estabelecido na última semana — é frágil. A principal fonte de instabilidade está na circulação de energia pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global que, mesmo após o anúncio da trégua, a reabertura da rota não ocorreu de forma plena, o que mantém embarcações aguardando autorização para seguir viagem.
Segundo a CNBC, a medida dos EUA seria uma tentativa de aumentar a pressão sobre o Irã para que reabra a rota após a falha das negociações de paz. O presidente dos EUA, Donald Trump, alertou para os “navios de ataque rápido” iranianos não se aproximarem das forças americanas que estavam aplicando o fechamento.
“Se algum desses navios se aproximar do nosso BLOQUEIO, será imediatamente ELIMINADO, usando o mesmo sistema de eliminação que usamos contra os traficantes de drogas em barcos no mar”, escreveu Trump no Truth Social. “É rápido e brutal.”
Vale lembrar que o plano de bloqueio foi divulgado por Trump no último domingo (12), em um post na sua rede social, em que acusou o Irã de não abandonar a busca por armas nucleares e de “extorsão mundial” por restringir o estreito.
Por que o Irã está despreocupado?
As respostas do Irã à medida têm sido desafiadoras e afrontosas, mas há um motivo para isso. Segundo a Veja, dados recentes de mercado indicam que Teerã acumulou um alto volume significativo de petróleo que já esta nos navios.
Isso pode garantir o abastecimento de seu principal comprador, Pequim, por semanas ou até meses, mesmo diante de interrupções do estreito. Ou seja, mesmo com o bloqueio dos EUA, o Irã conseguiria suprir sua própria demanda de combustíveis e ainda ganhar dinheiro com a venda para a China, que depende do petróleo iraniano para sustentar sua demanda energética.
Ainda de acordo com a Veja, baseado em dados da consultoria Vortexa, o país encheu cerca de 1,84 milho de barris de petróleo por dia em navios, enquanto em fevereiro o volume foi de 2,15 milhões de barris diários.
Essa estratégia antecipada para lidar com a crise garante mais tempo de pressão e negociação com os EUA para um acordo de paz. Estima-se que atualmente haja 160 milhões de barris de petróleo iraniano estocados em navios-tanque fora do Golfo Pérsico. Desses, boa parte já tem destino definido, mas o restante segue como reserva.
A China importa atualmente cerca de 1,8 milhão de barris diários de petróleo iraniano, um volume que poderia ser mantido até meados de 2026 mesmo se o Irã não realizar nenhum novo embarque.
E para o resto do mundo?
Quem deve sofrer com a medida é o restante dos fornecedores e compradores do estreito. Com isso, os preços do petróleo devem se manter voláteis por mais tempo.
Ainda, o cenário geopolítico, os estoques estratégicos e as rotas alternativas do petróleo tornam a situação de maior incerteza para os mercados.
Países que dependem de importação da commodity, como os da Europa, podem enfrentar aumentos de custos.

