Oito milhões de eleitores votaram, neste domingo (12), para eleger Péter Magyar, do partido de oposição Tisza na Hungria, o que confirma uma nova bandeira e um novo primeiro-ministro para o país. Conforme avaliação da Capital Economics, a mudança no governo deve trazer novas perspectivas macroeconômicas, com possibilidade de melhoria no mercado e, inclusive, na qualidade institucional do país europeu.
Em relatório, a consultoria britânica aponta que Péter Magyar pode auxiliar no restabelecimento das relações com a União Europeia, movimento que também deve influenciar no desbloqueio dos fundos congelados do bloco, conforme informações do InfoMoney. A oposição deve ocupar ainda entre 137 e 138 das 199 vagas disponíveis no parlamento, cenário que aumenta a expectativa de fortalecer ainda mais a supervitória alcançada e gerar maior previsibilidade econômica nos próximos anos.
Investimentos
Após 16 anos no poder, o partido do primeiro-ministro Viktor Orbán, Fidesz, deixa o governo com uma derrota considerada histórica, passando de 135 para ocupar apenas entre 54 a 55 assentos. A mudança de bandeira aumenta, neste momento, os ânimos de investidores, que preveem grandes negócios diante da alta possibilidade de movimentações mais intensivas nos ativos locais. Além disso, há expectativa de mudanças na estrutura intervencionista doméstica, cenário que deve resultar em um ambiente econômico mais competitivo.
Investidores consideraram também que o novo governo adote uma postura de confronto em relação à política externa de Viktor Orbán, que defendia uma economia mais autônoma, dando lugar para um governo mais pró-mercado e alinhado à União Europeia. A força do Tisza deve, então, causar mudanças nas reformas constitucionais promovidas pelo antigo governo, assim como acelerar reformas governamentais e ampliar as perspectivas de acesso aos fundos da União Europeia.
Segundo a Capital Economics, a avaliação é de que todas essas mudanças ajudem no crescimento mais forte do Produto Interno Bruto (PIB) a médio prazo. No entanto, a projeção entende que do ponto de vista fiscal não deve acontecer um aperto agressivo no curto prazo, mas as eleição fortalece a possibilidade de uma trajetória de consolidação crível em médio prazo.
A estimativa é de redução do déficit orçamentário para uma faixa de 3,5% a 4,0% do PIB nos próximos anos, movimento esperado principalmente se realmente houver melhora nas pressões de financiamento. Os resultados do governo derrotado eram de 5,5% projetados para este ano.
Eleição histórica
De acordo com levantamentos, Péter Magyar venceu uma das eleições consideradas mais disputadas da história da Hungria, em um pleito marcado por forte polarização política e por ampla mobilização popular. A votação registrou cerca de 80% de participação dos eleitores, o maior índice já observado no país, segundo informações da Agência Brasil. Assim, logo após o fechamento das urnas, Viktor Orbán reconheceu a derrota.
Deputado do Parlamento Europeu desde 2024, Péter Magyar, 45 anos, advogado, é presidente do Tisza, principal partido opositor à atual gestão política no país. Como plano de governo, ele promete combater a fraude eleitoral, em referência a dados de compra de votos, bem como afirma que irá acabar com a corrupção no país. Uma de suas maiores promessas é a de reaproximar o país da União Europeia.

