Publicidade
Geopolítica

O que esperar de um bloqueio do Estreito de Ormuz pelos EUA?

As ações americanas e o preço do petróleo reagiram imediatamente ao anúncio

O que esperar de um bloqueio do Estreito de Ormuz pelos EUA?

Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (13) que começaram a bloquear a entrada e a saída de navios dos portos iranianos no Estreito de Ormuz, o principal canal de transporte de petróleo do mundo.

Publicidade

Segundo a CNBC, essa seria uma tentativa de aumentar a pressão sobre o Irã para que reabra a rota após a falha das negociações de paz. O presidente dos EUA, Donald Trump, alertou para os “navios de ataque rápido” iranianos não se aproximarem das forças americanas que estavam aplicando o fechamento.

“Se algum desses navios se aproximar do nosso BLOQUEIO, será imediatamente ELIMINADO, usando o mesmo sistema de eliminação que usamos contra os traficantes de drogas em barcos no mar”, escreveu Trump no Truth Social. “É rápido e brutal.”

Vale lembrar que o plano de bloqueio foi divulgado por Trump no último domingo (12), em um post na sua rede social, em que acusou o Irã de não abandonar a busca por armas nucleares e de “extorsão mundial” por restringir o estreito.

Ele ainda ressaltou que o bloqueio dos EUA bloqueio será aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entrarem ou saírem de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã.

Como mostrou O Brasilianista, o acordo de cessar-fogo inicial — estabelecido na última semana — é frágil. A principal fonte de instabilidade está na circulação de energia pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global que, mesmo após o anúncio da trégua, a reabertura da rota não ocorreu de forma plena, o que mantém embarcações aguardando autorização para seguir viagem.

De acordo com a CNBC, negociadores dos EUA, incluindo o vice-presidente JD Vance, viajaram para Islamabad para conversas de paz com o Irã durante o fim de semana, mas Vance declarou na manhã do domingo que o acordo não foi assinado porque o país pérsico se recusou a concordar em não desenvolver armas nucleares.

Os efeitos da negociação e do bloqueio geraram reações diretas na economias: as ações americanas despencaram e os preços do petróleo dispararam logo antes da confirmação do bloqueio.

Dessa forma, os preços de combustíveis devem seguir subindo no cenário global. Afinal, mesmo com o bloqueio americano dessa vez, as maiores produções de petróleo seguem saindo do Irã e outros países do Golfo Pérsico. No cenário geopolítico, as tensões continuam, inclusive em relação aos países que vão apoiar os EUA no bloqueio.

Os objetivos da guerra foram atingidos?

Segundo a BBC, o principal objetivo de guerra do presidente dos EUA, Donald Trump, era negar ao Irã a capacidade de desenvolver uma arma nuclear. No entanto, esse arsenal era algo que o Irã afirmou nunca ter planejado fazer.

Vale lembrar que esse já era um objetivo dos EUA há muitos anos. O republicano avaliava que o acordo nuclear global com o Irã, o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) — intermediado pelo ex-presidente americano Barack Obama — era muito fraco.

Além disso, Trump declarou que tinha a intenção de fazer uma mudança de regime no Irã. Em vídeo anunciando a guerra, ele convocou os iranianos a assumirem o controle do governo quando os bombardeios EUA-Israel terminassem.

Porém, a “rendição incondicional” dos líderes iranianos não aconteceu, mesmo com o assassinato do Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Isso porque seu filho, Mojtaba, foi nomeado como sucessor.

Ainda de acordo com a BBC, Trump afirmou que a nova liderança é menos “radicalizada e muito mais inteligente” do que seus antecessores. No entanto, sua intenção era repetir o ataque de Washington à Venezuela, em que conseguiu capturar o presidente Nicolás Maduro e ter maior controle sobre a política e economia do país sul-americano.

Em meio ao cessar-fogo temporário e frágil, segundo a BBC há poucas evidências de qualquer resultado significativo para Trump na questão nuclear.

Apesar dos bombardeios a instalações nucleares no Irã, o país segue com um estoque significativo de urânio enriquecido próximo ao grau de pureza necessário para armas nucleares. A hipótese é de que esse elemento esteja escondido em cilindros de gás sob os escombros.

O custo da guerra para os EUA

Os Estados Unidos estavam injetando cerca de meio bilhão de dólares por dia na guerra contra o Irã. As informações são do The Guardian com base em analistas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).

Uma semana após as forças americanas e israelenses iniciarem seu ataque ao Irã, funcionários do Pentágono informaram a parlamentares, em uma reunião fechada, que o custo da guerra já havia ultrapassado US$ 11,3 bilhões apenas nos primeiros seis dias.

Ainda, o Estreito de Ormuz o principal canal de petróleo do mundo estava praticamente fechado, o que traz problemas logísticos e energéticos globalmente.

Fontes ouvidas pelo The Guardian ainda afirmaram que os gastos não recaem apenas à munições, mas também forças mobilizadas para a região, despesas médicas e a substituição de aeronaves militares perdidas em combate.

No sexto dia de conflito, o CSIS estimou o custo acumulado em US$ 12,7 bilhões. Depois de quase vinte dias, é provável que já tenha ultrapassado US$ 18 bilhões.

Vale destacar que as primeiras horas da guerra foram dominadas por algumas das armas mais caras do arsenal americano, utilizando mísseis de longo alcance, interceptores de mísseis balísticos e sistemas de radar.

Acompanhe O Brasilianista nas redes sociais