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Política

Brasil pode mudar de posição na geopolítica caso Flávio Bolsonaro seja eleito?

Especialista afirma que a tendência é de maior alinhamento com governos em que Jair Bolsonaro já havia demonstrado proximidade ideológica

Brasil pode mudar de posição na geopolítica caso Flávio Bolsonaro seja eleito?

Com guerra em curso e disputas comerciais em alta, o posicionamento dos países no cenário global pode ganhar força. Apesar de o Brasil manter-se fora de conflitos internacionais, a possibilidade de eleição de Flávio Bolsonaro (PL), que está entre os principais nomes da disputa, apontado por pesquisas, levanta questionamentos sobre eventuais ações na política externa. Há dúvidas também sobre a possibilidade do político seguir a mesma linha ideológica do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.

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Segundo a doutora em Direito Internacional e professora da Processus, Francielle Vieira Oliveira, a análise sobre como o país pode se posicionar na geopolítica, caso o pré-candidato da direita vença, deve partir de tendências como a filiação política, a herança bolsonarista e o repertório diplomático associado a esse campo. A avaliação é de que deve haver continuidade do legado de seu pai.

“Flávio Bolsonaro lançou sua candidatura à Presidência em 2026 como continuidade explícita do legado político do pai, o que torna plausível supor, ao menos em linhas gerais, uma política externa com maior carga identitária e ideológica do que aquela orientada por um multilateralismo mais pragmático”, alerta.

Ruptura de padrões estruturais

Diante disso, a tendência com base na política bolsonarista, conforme explica a especialista, é de reorientação do estilo diplomático e das preferências políticas, mas sem necessariamente uma ruptura absoluta com os padrões estruturais da inserção internacional brasileira. Na verdade, a chegada de Flávio Bolsonaro à presidência pode representar maior seletividade em relação a organismos multilaterais, bem como pode haver menor disposição para investir capital diplomático em agendas universalistas.

Na avaliação do professor de Relações Internacionais do Ibmec Brasília, Ricardo Caichiolo, a tendência é de maior alinhamento com governos em que Bolsonaro já havia demonstrado proximidade ideológica, especialmente durante o seu mandato, o que pode influenciar o reposicionamento do Brasil no cenário internacional. “Há tendência de maior orientação ideológica, principalmente no alinhamento com determinados governos, em especial com o norte-americano (Trump). Isso se refletiria tanto no discurso quanto nas prioridades diplomáticas”, explica.

Limites estruturais

Além disso, pode ser natural a maior afinidade com governos e lideranças de redes mais conservadoras no espaço atlântico, especialmente quando houver convergência político-ideológica. Seguindo essa tendência, a professora entende que, em meio a todas essas questões, a experiência do governo de Jair Bolsonaro sugere que uma inflexão dessa natureza pode tensionar aspectos da tradição diplomática brasileira, especialmente quando o discurso externo se afasta do pragmatismo histórico do Itamaraty.

“Ainda assim, convém evitar leituras maximalistas. Mesmo um governo politicamente identificado com o bolsonarismo continuaria operando sob limites estruturais significativos: a centralidade econômica da China para o comércio brasileiro, o peso dos Estados Unidos em tecnologia, finanças e segurança, a relevância da União Europeia, além dos compromissos jurídicos internacionais e da necessidade permanente de preservar canais funcionais com múltiplos parceiros. Em outras palavras, o mais plausível seria menos uma ruptura sistêmica e mais uma combinação entre maior ideologização no plano político-diplomático e pragmatismo seletivo no plano econômico”, afirma Oliveira.

Multilateralismo

Sobre a avaliação de continuidade pela busca de relações multilaterais, um dos principais focos do atual governo, a especialista em direito internacional entende que organismos multilaterais e acordos internacionais podem permanecer como um elemento central de sua inserção externa, mas o modo de engajamento pode passar por mudança, seguindo a orientação da bandeira. “Em termos estruturais, o país está profundamente inserido em instituições internacionais, comerciais, ambientais, financeiros e políticos, o que torna pouco plausível qualquer movimento de afastamento substantivo sem custos elevados”, explica Francielle.

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