A atividade industrial brasileira apresentou um dos desempenhos mais fracos dos últimos anos e perdeu espaço no cenário internacional. Em 2025, o país caiu para a 64ª posição em um ranking global que mede o ritmo de crescimento da indústria, um resultado bem inferior ao observado no ano anterior e o pior desde 2022.
Segundo a Veja, com base em dados do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, elaborados a partir de informações da agência da ONU para o setor industrial, o Brasil ocupava a 24ª colocação em 2024. A queda expressiva indica uma desaceleração relevante da atividade, em contraste com o movimento observado em diversas economias ao redor do mundo.
O levantamento mostra que, enquanto outros países avançaram de forma mais consistente, o desempenho brasileiro praticamente ficou estagnado no período analisado. O cenário acende um alerta sobre a capacidade de reação da indústria nacional diante de um ambiente global mais competitivo.
Desempenho abaixo da média global
O crescimento da indústria de transformação no Brasil foi bastante limitado em 2025. A expansão registrada foi de apenas 0,1%, número muito inferior ao avanço de 3,2% observado em 2024. No mesmo intervalo, a média global apresentou aceleração, com crescimento de 3,9% no último ano, acima dos 2,1% registrados anteriormente.
Esse descompasso ajuda a explicar a perda de posições no ranking. Países como Angola, que liderou a lista com forte expansão industrial, além de Togo, Vietnã, China e Japão, avançaram mais rapidamente e ultrapassaram o Brasil.
Mesmo com a queda, o país ainda aparece à frente de algumas economias relevantes, como Alemanha, México e África do Sul. Ainda assim, o recuo chama atenção pelo tamanho da indústria brasileira e pelo histórico recente de recuperação.
Juros elevados pesam sobre a indústria
Entre os fatores apontados para o desempenho mais fraco está o nível elevado da taxa básica de juros. A Selic permaneceu em patamar alto ao longo do período, na faixa de 14,75%, tendo alcançado 15% nos meses anteriores.
O custo mais alto do crédito tende a impactar diretamente a atividade industrial, ao dificultar investimentos, encarecer financiamentos e reduzir o consumo. Esse ambiente contribui para um crescimento mais lento da produção, especialmente em setores que dependem de crédito para expandir suas operações.
Além disso, o cenário interno acaba limitando a capacidade de resposta da indústria brasileira em um momento em que outros países conseguem crescer de forma mais acelerada.
Diferenças em relação aos dados oficiais
O estudo internacional apresenta resultados que não coincidem totalmente com os dados divulgados por órgãos nacionais. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontou uma leve retração de 0,2% na produção industrial brasileira em 2025, após crescimento de 3,7% no ano anterior.
Apesar das diferenças metodológicas, ambos os levantamentos indicam uma desaceleração clara da indústria. Seja por estagnação ou por queda, o desempenho recente mostra que o setor perdeu ritmo após um período de recuperação.
Além dos fatores já mencionados, especialistas também observam que a volatilidade do cenário externo e as incertezas fiscais internas contribuem para um ambiente de cautela entre empresários, o que tende a influenciar decisões de produção e investimento ao longo dos próximos meses.

