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Geopolítica

“Essa guerra pode escalar a níveis maiores do que já presenciamos”, alerta especialista sobre crise entre Irã e EUA

Tensões no Golfo Pérsico reacendem alerta sobre energia, comércio internacional e segurança econômica

“Essa guerra pode escalar a níveis maiores do que já presenciamos”, alerta especialista sobre crise entre Irã e EUA

A crescente tensão entre Irã e Estados Unidos volta a gerar preocupação no cenário internacional, especialmente pelos possíveis reflexos nas cadeias produtivas globais.

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Em meio a ameaças de escalada militar e entraves diplomáticos, especialistas alertam para efeitos que vão além da geopolítica e atingem diretamente economias ao redor do mundo.

Segundo Beny Fard, iraniano de nascimento e especialista em investimentos e negócios internacionais, a atuação iraniana historicamente combina negociação e pressão indireta.

“O Irã, historicamente, tem essa característica de dialogar de forma diplomática, bem entre aspas, uma diplomacia tempocrática, que usa o tempo a seu favor”, afirma.

De acordo com análise do próprio especialista, essa estratégia inclui o uso de aliados estratégicos e ações indiretas para ampliar sua influência sem confronto direto.

Ele destaca que essa postura se mantém desde a Revolução Islâmica de 1979, moldando a relação do país com o Ocidente ao longo de décadas.

Esse tipo de atuação indireta é comum em cenários de conflito assimétrico, quando países evitam enfrentamentos diretos e utilizam alianças e influência regional para alcançar objetivos políticos e militares.

Riscos de agravamento

O cenário atual aponta para um possível aumento das tensões, impulsionado por ações militares e disputas estratégicas na região do Golfo Pérsico. Para Fard, alguns fatores podem acelerar esse processo e tornar o conflito mais direto.

“A continuação de intervenções iranianas armamentícias, com mísseis, com drones, com obstrução de capacidade de escoamento produtivo […] pode fazer essa guerra escalar a níveis maiores do que nós já presenciamos”, explica.

Segundo o especialista, mesmo com perdas recentes em capacidade militar, o Irã segue promovendo ações pontuais que impactam países aliados aos Estados Unidos, o que mantém o ambiente de instabilidade.

A região do Golfo concentra uma parcela significativa da produção global de petróleo, o que aumenta a sensibilidade do mercado a qualquer tipo de conflito ou bloqueio logístico.

Fard avalia que a tendência não é de arrefecimento imediato. “Eu acredito que haverá mais escalada”, afirma, ao analisar o cenário após tentativas frustradas de cessar-fogo e negociações diplomáticas.

Papel estratégico da China no equilíbrio do conflito

A atuação da China surge como um elemento central para compreender os desdobramentos recentes. O país asiático depende fortemente do fluxo de petróleo que passa pelo Estreito de Hormuz, ponto estratégico da região.

Segundo Fard, essa dependência influencia diretamente a postura chinesa. “A China está sendo extremamente prejudicada com o fechamento do Estreito de Hormuz”, destaca.

Cerca de um terço do petróleo consumido pela China transita diariamente por essa rota, o que reforça a importância da estabilidade na região.

Além disso, o especialista aponta que há uma relação econômica estratégica entre China e Irã, baseada na compra de petróleo a preços reduzidos, fora dos sistemas tradicionais. Esse fator contribui para manter o equilíbrio de interesses mesmo em meio às sanções internacionais.

Efeitos nas cadeias produtivas

Os impactos econômicos de uma eventual escalada vão além do setor energético e podem atingir diferentes áreas da produção global. A interdependência entre países torna o cenário ainda mais sensível a rupturas.

Fard explica que o mundo atual opera com cadeias produtivas altamente integradas. “A gente tem cadeias produtivas, cadeias de valor industriais, de commodities muito capilarizadas em torno do mundo inteiro”, destaca.

Interrupções no fornecimento de insumos estratégicos podem gerar efeitos em cascata, afetando desde a indústria até o setor alimentício.

Entre os principais riscos apontados está o aumento do preço do petróleo, que tende a pressionar a inflação global. Além disso, há preocupação com a oferta de fertilizantes, fundamentais para a produção agrícola.

O especialista explica esse efeito secundário: “A gente vai ter um segundo choque econômico vindo no agro através desse repasse de custos de fertilizantes mais escassos”.

Segurança internacional e reflexos em grandes eventos

Além dos impactos econômicos, o aumento das tensões também levanta preocupações na área de segurança global. Eventos internacionais de grande porte podem se tornar mais vulneráveis em cenários de instabilidade.

Segundo Fard, há risco ampliado de ações indiretas em diferentes regiões. “Esse tipo de evento aumenta riscos no mundo inteiro”, afirma.

Conflitos geopolíticos tendem a elevar o nível de alerta em aeroportos, fronteiras e eventos com grande concentração de pessoas.

O especialista ressalta que ações podem ocorrer por meio de grupos aliados e não necessariamente de forma direta, o que exige monitoramento constante por parte das autoridades internacionais.

“Precisa haver uma atenção redobrada quanto a questões de segurança aeroportuária, segurança em grandes eventos”, alerta.

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