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Economia

Não é só ultrassom: veja outros aparelhos que têm radiação

Especialista explica diferenças entre tipos de emissão e reforça que aparelhos do dia a dia operam dentro de limites de proteção

Não é só ultrassom: veja outros aparelhos que têm radiação

Como divulgado pelo O Brasilianista, a lembrança do acidente com Césio-137, em Goiânia, em 1987, ainda levanta dúvidas sobre a presença de radiação no cotidiano, especialmente em um cenário de expansão tecnológica.

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Em exclusiva para O Brasilianista, o técnico em radiologia Akira Dias Minoda explicou que a radiação não está restrita a equipamentos médicos e pode ser encontrada em diversos objetos eletrônicos e até naturais, mas destacou que, na maioria dos casos, os níveis são controlados e seguros para uso.

Muito além dos equipamentos hospitalares

Akira Dias Minoda, técnico em radiologia, afirma que uma das ideias mais comuns e equivocadas é associar radiação apenas a exames médicos.

Segundo ele, essa percepção acaba gerando preocupação desproporcional em relação a tecnologias seguras.

“Muita gente acredita que a radiação está presente apenas em equipamentos médicos, como o aparelho de ultrassom, mas isso não é verdade”, destaca.

O especialista explica que o próprio ultrassom, frequentemente citado nesse contexto, não utiliza radiação ionizante.

Em vez disso, o exame funciona com ondas sonoras de alta frequência, o que permite sua utilização ampla, inclusive durante a gestação.

Minoda destaca que compreender o tipo de radiação envolvida é essencial para diferenciar situações de risco de usos cotidianos seguros.

Eletrônicos do dia a dia e emissão controlada

Segundo o técnico, diversos dispositivos eletrônicos utilizam radiação eletromagnética para operar, especialmente os que dependem de comunicação sem fio.

Celulares, roteadores Wi-Fi, notebooks e tablets emitem radiofrequência, uma forma de radiação não ionizante.

Essas emissões são reguladas por padrões técnicos internacionais e operam em níveis considerados seguros para a população. O mesmo vale para dispositivos como smartwatches e equipamentos com conexão Bluetooth.

Minoda também cita o forno micro-ondas, que utiliza radiação não ionizante para aquecer alimentos. Ele explica que o funcionamento seguro depende da integridade do aparelho, principalmente da vedação da porta.

“O importante é entender que radiação não significa automaticamente perigo. Tudo depende do tipo, da intensidade e do tempo de exposição”, explica.

Outros exemplos pouco conhecidos

Além dos eletrônicos mais comuns, o especialista aponta que há outros objetos presentes na rotina que também envolvem algum tipo de radiação.

Controles remotos utilizam luz infravermelha, enquanto lâmpadas fluorescentes podem emitir pequenas quantidades de radiação ultravioleta.

Televisores antigos de tubo, hoje menos comuns, também podiam emitir níveis baixos de radiação, embora dentro de parâmetros considerados seguros na época de uso regular.

“Existem muitos objetos do dia a dia que emitem radiação ou possuem elementos radioativos, e a maioria das pessoas nem imagina”, afirma.

Ele reforça que, em todos esses casos, os equipamentos são projetados para funcionar dentro de limites seguros, sem risco relevante para usuários em condições normais.

Radiação natural também faz parte da rotina

Minoda explica que a presença de radiação não se limita a dispositivos eletrônicos. Elementos naturais também podem emitir pequenas quantidades, sem representar perigo.

Alimentos como banana e castanha-do-pará contêm potássio-40, um elemento radioativo natural. Materiais como granito e mármore podem liberar traços de radônio, especialmente em ambientes fechados.

Detectores de fumaça, por sua vez, podem conter pequenas quantidades de amerício-241, utilizado para funcionamento do equipamento.

Já objetos antigos, como relógios luminosos, podem apresentar substâncias radioativas, o que exige atenção apenas em caso de danos ou deterioração.

O que realmente exige controle?

O especialista destaca que o cuidado maior deve estar em fontes de radiação ionizante, como exames de raio-X, tomografia e tratamentos de radioterapia. Nesses casos, há protocolos rigorosos para garantir a segurança de pacientes e profissionais.

Ele também menciona a exposição solar como uma fonte relevante de radiação ultravioleta, que pode causar danos quando ocorre de forma excessiva e sem proteção.

Minoda explica que materiais radioativos industriais ou nucleares exigem controle técnico e regulamentação específica, diferentemente dos objetos comuns do dia a dia.

Segurança e informação como principais aliados

Minoda reforça que os equipamentos eletrônicos e tecnológicos disponíveis no mercado seguem normas de segurança e passam por processos de certificação antes de chegar ao consumidor.

Segundo ele, o uso adequado desses dispositivos não representa risco à saúde, desde que respeitadas as orientações básicas de funcionamento.

“A maior parte dos objetos do cotidiano emite radiação não ionizante, que não costuma causar danos nos níveis usuais”, afirma.

Ele também destaca que a informação é essencial para evitar interpretações equivocadas e garantir o uso consciente da tecnologia no cotidiano.

“Você convive com radiação todos os dias, no celular, no Wi-Fi, no sol e até na comida. O segredo não é ter medo, é entender a diferença entre radiação comum e radiação perigosa”, finaliza.

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