A Conferência da Classe Trabalhadora, a Conclat 2026, passa a orientar um novo momento de articulação entre centrais sindicais e entidades representativas no país. O encontro consolida uma agenda voltada ao debate sobre emprego, renda e direitos sociais diante de transformações que afetam o mercado de trabalho no Brasil e no mundo.
Entre os pontos que serão discutidos estão os impactos das transformações globais sobre o mercado de trabalho. O avanço de tecnologias, como a inteligência artificial, entra na pauta como um dos fatores que alteram a dinâmica do emprego, com efeitos sobre a criação de vagas e as formas de contratação.
Também será abordada a influência das mudanças climáticas nas condições de trabalho, tanto em áreas urbanas quanto rurais. Eventos extremos e alterações ambientais passam a integrar o debate por seus efeitos diretos na produtividade e na rotina dos trabalhadores.
Temas centrais incluem economia e direitos sociais
A conferência deve tratar ainda da reorganização da economia em escala internacional, com deslocamento de cadeias produtivas e mudanças no funcionamento das empresas. Esse cenário aparece associado à discussão sobre regras trabalhistas e proteção social.
No plano interno, entram na pauta questões como a informalidade, a rotatividade no mercado de trabalho e as desigualdades sociais. O custo de vida das famílias e o endividamento também devem ser abordados ao longo dos debates.
Segundo o Dieese, responsável pela organização técnica do material, o encontro ocorre em um período considerado decisivo para a definição de estratégias até 2030, com foco na construção de alternativas para ampliar a geração de empregos e melhorar as condições de trabalho.
Propostas para trabalho e desenvolvimento
Entre os temas previstos para discussão estão a redução da jornada de trabalho e mudanças em modelos de escala, além da valorização do salário mínimo e da ampliação da negociação coletiva. A regulamentação do trabalho por plataformas digitais também integra a agenda.
Outros pontos incluem o combate a fraudes trabalhistas e a discussão sobre formas de contratação que reduzem direitos. A atuação das entidades sindicais e suas condições de funcionamento também entram no debate.
No campo econômico, devem ser discutidas propostas como investimentos em infraestrutura, incentivo à indústria e fortalecimento da agricultura familiar. A organização do sistema tributário e a redução da taxa de juros aparecem como temas relacionados ao desenvolvimento.
Serviços públicos e qualidade de vida entram na agenda
A Conclat 2026 também deve abordar o acesso a serviços públicos e políticas sociais. Estão previstos debates sobre moradia, transporte coletivo, saneamento básico, saúde e educação.
A questão do envelhecimento da população será incluída nas discussões, com foco em políticas que garantam proteção social, acesso a serviços e sustentabilidade financeira para pessoas idosas.
Outros temas envolvem segurança pública e enfrentamento de diferentes formas de violência e discriminação, incluindo questões de gênero e raça.
As discussões também devem incluir o papel do Estado na coordenação de políticas públicas voltadas ao trabalho e ao desenvolvimento, além da necessidade de ampliar investimentos em inovação e infraestrutura. A articulação entre diferentes setores aparece como parte do cenário debatido ao longo das atividades previstas na conferência.

