O Brasil perdeu protagonismo na indústria mundial em 2025 após registrar avanço quase nulo na produção. O resultado fez o país despencar no ranking internacional de crescimento do setor, saindo da 24ª para a 64ª posição em apenas um ano.
A queda chama atenção não apenas pelo tamanho, mas pelo contexto. Enquanto a indústria brasileira praticamente não cresceu, outras economias aceleraram e passaram à frente, incluindo países com menor tradição industrial.
Com base em dados do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial elaborados a partir de informações da agência da ONU para o setor, o desempenho brasileiro ficou muito abaixo do observado em diversas partes do mundo, evidenciando perda de competitividade, com base na Veja.
Juros e incertezas reduzem o ritmo da indústria
O ambiente econômico interno aparece como um dos principais entraves para o desempenho do setor. A taxa básica de juros permaneceu elevada durante o período, com a Selic próxima de 14,75% e picos recentes de 15%.
Esse nível dificulta o acesso ao crédito e encarece financiamentos. Empresas acabam adiando projetos de expansão e investimentos em tecnologia, o que reduz a capacidade de crescimento da indústria.
Além disso, o custo elevado também impacta o consumo. Com menor demanda, a produção perde força, criando um ciclo de desaceleração que afeta diretamente os resultados do setor. A combinação de crédito caro e cautela empresarial ajuda a explicar por que o país não conseguiu acompanhar o avanço de outras economias.
Dados mostram perda de fôlego após recuperação
Os números recentes indicam uma mudança de trajetória. Após crescer em 2024, a indústria brasileira praticamente parou em 2025. O avanço foi de apenas 0,1%, sinalizando estagnação.
Levantamentos nacionais também apontam retração. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística registrou queda de 0,2% na produção industrial no período, após alta no ano anterior.
Mesmo com metodologias diferentes, os dados convergem ao indicar perda de dinamismo. O setor deixou para trás o ritmo mais forte observado anteriormente.
Outros países avançam e ampliam distância
Enquanto o Brasil enfrentava limitações internas, outras economias cresceram com mais intensidade. A média global da indústria atingiu 3,9% em 2025, superando o desempenho do ano anterior.
Países como Angola e Togo registraram expansão significativa e ultrapassaram o Brasil no ranking. Também tiveram desempenho superior economias como Vietnã, China e Japão.
O avanço desses países ampliou a distância em relação ao Brasil, que não conseguiu acompanhar o ritmo. Ainda assim, o país permanece à frente de Alemanha, México e África do Sul.
A nova configuração do ranking deixa claro que existe uma mudança no equilíbrio da indústria global, com maior presença de economias que vêm ganhando espaço nos últimos anos.
Nos bastidores, representantes da indústria acompanham com atenção os próximos movimentos da política econômica e do cenário internacional. A evolução da taxa de juros, o comportamento do câmbio e a demanda externa devem influenciar diretamente o desempenho do setor nos próximos meses, especialmente em segmentos mais dependentes de exportações e crédito, além do ritmo da atividade interna.

